O sonho vila-condense na Europa continua! Mantendo a boa tradição portuguesa no terreno do Besiktas, o Rio Ave surpreendeu e triunfou nas grandes penalidades em Istambul, depois de um empate a uma bola. Depois de eliminar o Borac, a equipa de Mário Silva acabou também com o trajeto europeu de um gigante turco.
Bruno Moreira forçou o prolongamento perto do fim com um cabeceamento certeiro, ninguém marcou na maia hora adicional e a equipa vila-condense não tremeu nos penáltis. Os rio-avistas não falharam qualquer um, o Besiktas falhou dois (Kieszek defendeu um, em grande) e Matheus Reis bateu o penálti decisivo para selar a presença no play-off, com o Milan como próximo adversário nos Arcos.
Começaram mansinhos...
O desafio era enorme, mesmo que nenhuma equipa portuguesa tivesse alguma vez perdido no Vodafone Park, desta vez vazio. Contra uma equipa mais habituada a estas andanças, era preciso algo mais do que a qualidade técnica existente no plantel de Mário Silva. Era preciso querer mais, meter o pé, ganhar duelos, e isso não se viu desde cedo. A primeira parte pertenceu muito à equipa da casa, com Kieszek a evitar males maiores em várias ocasiões, mas a não conseguir evitar a desvantagem ao intervalo.
O Besiktas jogava em todo o campo, mesmo arriscando conceder espaços aos vila-condenses, que tardavam em conseguir aproveitá-los. Mesmo com muitas mudanças de relevo no onze inicial (o ausente treinador trocou o guarda-redes, tirou a referência defensiva Domagoj Vida, trocou o ponta-de-lança...), a equipa da casa conseguia numa primeira fase criar mais perigo... ganhava quase todos os duelos no corpo a corpo contra um Rio Ave com clara falta de agressividade e logo aos 15 minutos saltou para a frente com relativa naturalidade. O médio transformado em lateral Necip Uysal cruzou, o ponta-de-lança Güven Yalcin - em estreia na época - encontrou espaço nas costas de Borevkovic para marcar de cabeça.

Insistindo num jogo apoiado e ponderado que tantas vezes era travado pelo físico turco, o Rio Ave começava também a cometer erros forçados pelo adversário, como quando Tarantini foi desarmado depois de uma reposição de Kieszek e a bola acabou por bater no poste, valendo uma de várias boas intervenções do guardião polaco.
Francisco Geraldes, titular enquanto Diego Lopes começava no banco, ia demonstrando fragilidades no um contra um, enquanto Bruno Moreira não conseguia descobrir espaços na frente e também falhava na receção de bola. Carlos Mané ia tentando (quase sozinho) tirar coelhos da cartola, mas falhavam vários detalhes essenciais, o Besiktas fazia-se valer da maior experiência para tentar tomar conta do jogo e o Rio Ave até nem terá ficado muito insatisfeito com a desvantagem mínima ao intervalo.
... e cortaram as asas às águias negras
Pedia-se mais intensidade aos homens de Mário Silva, a equipa técnica (liderada nesta noite por Augusto Gama, por Mário Silva não ter as habilitações exigidas) terá pedido isso também e os vila-condenses começaram após o intervalo a impor-se mais. O Besiktas entrava bem mais desconcentrado, o Rio Ave passava a conseguir procurar os espaços com mais convicção.

Começou a sentir-se o cheirinho do empate ainda no primeiro quarto de hora, quando Bruno Moreira surgiu nos ares para fazer a bola pentear a trave antes de sair. Mané estava decidido a assistir, como viria mesmo a fazer.
O Rio Ave descobriu mesmo uma cratera pelo meio da defesa turca aos 79' - Francisco Geraldes atirou por cima -, Mané ficou pertíssimo do empate aos 82' e cruzou com conta, peso e pé esquerdo para a cabeçada de Bruno Moreira aos 85'.
Ganhava novas forças o sonho vila-condense, que continuava vivo depois de um remate ao poste do conhecido Bernard Mensah e antes de um prolongamento com pernas muito cansadas.
Festa a partir dos onze metros
Diego Lopes, Jambor e Meshino já tinham entrado dentro dos 90, Gabrielzinho juntou-se à turma na meia hora adicional, trazendo a necessária frescura mas nem sempre o necessário acerto.
Foi do extremo brasileiro a grande ocasião vila-condense no prolongamento: Gabrielzinho só teve baliza pela frente quando Bruno Moreira aparecia isolado para finalizar e permitiu o corte, perdeu-se uma oportunidade de ouro para dar algum descanso ao coração.
Seria mesmo necessária a lotaria das grandes penalidades e se as pernas estavam cansadas, a mente dos homens de Vila do Conde estava bem fresca. Ninguém falhou, Matheus Reis atirou a contar depois de uma decisiva defesa de Kieszek e manteve o Rio Ave vivo no sonho de voltar a uma fase de grupos da Liga Europa e repetir o feito de 2014.






