Que final! O Famalicão deixou fugir a Europa nos descontos, ao empatar a três bolas no terreno do Marítimo. A equipa de João Pedro Sousa carimbou a reviravolta nos minutos finais, mas morreu na ilha, no quinto minuto de descontos, num lance em que Vaná fica muito mal na fotografia.
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No primeiro minuto de descontos, o quinto lugar estava destinada à formação famalicense. O Rio Ave, já com os três pontos amealhados no Bessa, assistiu do relvado a uma verdadeira montanha-russa. Primeiro, foi ao tapete, com o golo de Lameiras, depois foi ao céu, com o empate do Marítimo, festejou o lugar ainda antes do jogo dos Barreiros ter terminado e ainda foi obrigado a esperar mais um par de minutos para carimbar o grande objetivo da época.
A abrir e a fechar
As contas eram simples para o Famalicão, à partida. Fazer igual ou melhor do que o Rio Ave no Bessa significava o quinto lugar e o apuramento europeu. Também por essa responsabilidade e por esse peso, poucas ou nenhumas novidades. Apenas o regresso (esperado) de Neuhén ao centro da defesa e a manutenção da titularidade de Coly, em detrimento de Centelles, suplente nesta reta final.
E é possível uma equipa estar numa luta tão importante e marcante na história da própria instituição e começar pior do que este Famalicão na Madeira? Muito dificilmente, pelo menos. É que ainda não estavam decorridos dois minutos e o Marítimo já festejava, num livre e numa bola de Zainadine que ganhou uma outra vida depois de bater em Toni Martínez. Vaná não estava, de todo, à espera e a bola, sorrateiramente, levou o caminho das redes.

A reação não podia ter sido melhor. O Famalicão demorou pouco a criar perigo, num belo remate de Pedro Gonçalves que só parou no poste. Algumas unidades, como Racic ou Fábio Martins, até se esconderam, mas a identidade, o futebol apoiado e a inspiração de elementos como Toni Martínez, Diogo Gonçalves ou Ivo Pinto (incansável nas subidas) permitiu à equipa de João Pedro Sousa empurrar o adversário para perto da sua baliza e criar várias oportunidades. Mas a eficácia não aparecia e Taremi fazia das suas no relvado do Bessa.
O Marítimo aguentou o impacto e, aos poucos, começou a perceber que podia castigar o espaço deixado pelo Famalicão. Até porque não faltava velocidade às transições e qualidade na definição a Rodrigo Pinho. O avançado assustou um par de vezes e Nanú, menos explosivo do que noutras ocasiões, em terrenos centrais, com o pior pé, o esquerdo, obrigou Vaná a uma intervenção de grande nível.
Parecia que o Famalicão não ia conseguir retirar nada de positivo do primeiro tempo quando a qualidade das individualidades apareceu para resolver o problema que o coletivo não estava a conseguir resolver. Toni, em apoio, primeiro, e em esforço, depois, foi o protagonista de uma jogada que acabou em grande penalidade. Fábio Martins, na altura das decisões, não vacilou.
Não há palavras...
E se o início do jogo já não tinha sido nada bom, o que dizer dos primeiros minutos da segunda parte para o Famalicão? Mais uma vez, os comandados de João Pedro Sousa começaram desligados, com uma tendência preocupante para a falta. E foi precisamente a partir de um livre que as inseguranças defensivas ficaram bem à vista, com René a saltar mais alto e a finalizar sem grandes problemas.

O Famalicão descaracterizou-se. Pior, descaracterizou-se demasiado cedo. A equipa perdeu referências e apostou demasiado no jogo direto, sendo que a tripla alteração de João Pedro Sousa também não melhorou o cenário. Pedro Gonçalves, por exemplo, fez falta na definição e a entrada de Anderson não foi um upgrade em relação a Toni Martínez.
Só que o futebol é sempre capaz de nos dar momentos épicos. Quando parecia entregue, o Famalicão descobriu forças para marcar dois golos, os golos que precisava para garantir um quinto lugar europeu. Lameiras fez a diferença no cruzamento, primeiro, com o central Roderick a transformar-se em autêntico avançado. Depois, o mesmo extremo descobriu uma nesga de espaço para, num lance de génio, ativar a euforia no banco e em Vila Nova de Famalicão.
Parecia tudo resolvido, certo? Nada disso. Ainda houve tempo para mais um momento de surrealismo autêntico no relvado dos Barreiros. Lançamento longo, erro grave de Vaná na saída e o empate consumado, através de Erivaldo. O Rio Ave voltou a tocar no céu e a Europa fugiu das mãos do Famalicão. Que final, que momento, que grande luta entre duas das equipas que mais fizeram pela vida na Liga 2019/2020.









