Eu, autor desta crónica, nunca tinha visto algo assim. Nunca tinha visto um Brasil com tanta falta de identidade própria. Nunca tinha visto um treinador de equipa grande pensar tão pequeno. E nunca tinha visto uma arbitragem tão desastrosa. Dunga pode fazer as malas... Andrés Cunha pode pendurar o apito. E o Perú pode pensar nos quartos de final.
Dizer também, antes de explicar um pouco o jogo, que este Brasil não marcou um único golo a Equador e Perú e que só o conseguiu ao Haiti, caindo num grupo acessível. A eventual falta de qualidade de um ou outro elemento não serve para explicar tamanho tombo. O problema é bem maior.
Mais Brasil, menos acerto
É que as melhores oportunidades foram brasileiras e foram vários os momentos em que o golo poderia ter surgido. Num ritmo contido e muito europeizado, natural pela pouca margem que um erro poderia significar, as acelerações de Lucas Lima e de Coutinho rompiam com o marasmo e aproximavam a bola da rede. Mas não o suficiente.
Dani Alves, o mais ativo, a dignificar a camisola e a braçadeira, tentava empolgar os companheiros com as suas investidas e era o que mais mossa conseguia fazer. Só que o medo, ai... o medo tirava todo o brilho ao jogo. Culpa das duas equipas.
Brasil não era eliminado na fase de grupos da competição desde 1987. #playmaker #ca2016
— playmakerstats (@playmaker_PT) 13 de junho de 2016
E ainda pior ficou no arranque da segunda parte. Gareca mexeu no meio e não se percebeu bem o que quis acrescentar, Dunga não mexeu e percebeu-se que, na sua cabeça, o 0x0 era sinónimo de dever cumprido.
Quem via o jogo, quantas vezes se terá lembrado de Neymar? Quantas vezes terá pensado o quão diferente o futebol do escrete é dos tempos de Pelé ou Garrincha, Sócrates ou Zico, Ronaldo e Rivaldo... Dunga, isto é tudo menos o Brasil!
Castigo por linhas muito tortas
E eis que, num lance absolutamente caricato por todas as incidências que protagonizou, Ruidíaz parecia já não chegar a tempo e ajudou com o braço a ajeitar uma bola que depois empurrou com o corpo. Mais de três minutos depois, entre avanços e recuos, o árbitro Andrés Cunha assinalou golo para os peruanos, num momento que vai fazer correr muita tinta e que deve ficar eternizado na história da competição.
O Brasil perdeu e foi eliminado e Dunga só fez uma substituição. #playmaker #ca2016
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Mais gritante ainda foi o pós-golo. Os jogadores brasileiros reagiram de forma enérgica, só que continuavam a faltar elementos na frente. E Dunga mantinha os dois médios defensivos, com Lucas Moura e Jonas no banco. Pior: acabou sem avançado de área.
Só deu pena ver Willian, Coutinho e Dani Alves em desespero de causa, agarrados a um amarelo que perdia cor e entusiasmo. O Brasil perdeu, foi eliminado e o estado é mesmo grave. Depois da política, o futebol também está em crise!






