Um jogo desinspirado, com muitas decisões que deixaram a desejar, dentro de campo, mas, especialmente, fora de campo. Uma seleção desligada e a não potenciar as individualidades e características que tem. Do outro lado, uma vizinha que não olha a simpatias e aproveitou para vencer por 0-1. Portugal está fora do Mundial, por culpa própria.
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Muita história se escreveu entre Portugal e Espanha ao longo dos séculos e, agora, mais um capítulo se escrevia. O Texas escrevia-se com um ambiente ibérico, quente, esperançoso de chegar aos desejados quartos de final do Mundial.
Como se esperava, fiel a si mesma, Espanha entrou com mais bola, paciente na procura dos espaços. Numa primeira fase, no instante, Portugal entrou a pressionar alto, à zona, especialmente quando a bola chegava aos laterais espanhóis, por forma a atrasar essa construção. Contudo, a turma espanhola mostrou-se rápida a contrariar essa opção lusa e foi ultrapassando essa primeira fase de pressão, chegando-se à frente.
Do outro lado, Portugal era bem menos paciente com bola, algo menos esperado, uma vez que se quereria retirar esse trunfo a Espanha. Roberto Martínez, por sua vez, pareceu apostar excessivamente num jogo direto, muito ineficaz, face à ausência de fisicalidade na frente lusa. Por isso mesmo, o ataque português ia deixando muito a desejar, embora fosse compensando defensivamente - de forma geral, bem organizada, com Nuno Mendes forte no duelo com Yamal e a conseguir retirar Oyarzabal da construção.

Diogo Costa até foi chamado a intervir mais vezes - muito bem, mais uma vez -, mas, curiosamente, a maior chance veio do lado de Portugal, da bola parada, pois claro, uma das maiores constantes nesta edição da prova. Foi aos 41', num canto estudado muito bem trabalhado, Nuno Mendes disparou forte e a bola desviou na cabeça de Pedro Porro, antes de bater com estrondo na barra.
Estava tudo em aberto para a 2ª parte e Portugal pareceu assumir definitivamente a aposta na transição, onde Pedro Neto ganhou importância, mas foi sendo muito mal apoiado. No entanto, houve uma grande contrariedade quando, aos 56', Nuno Mendes teve de sair lesionado. Isto foi fazendo Portugal recuar cada vez mais, dando total iniciativa a Espanha, que ia circulando a área lusa como um predador à espera da sua presa.
Roberto Martínez até tentou potenciar essa aposta ao fazer entrar Rafael Leão e Diogo Dalot, numa primeira fase, e Francisco Conceição, mais tarde, mas a equipa estava sem qualquer capacidade de ligação, sentiu esse recuo e Espanha agradeceu. De resto, a certa altura, Portugal parecia estar a agarrar-se ao empate, em busca do prolongamento, mas foi desligando do jogo. Um perigo contra uma seleção como Espanha.
A turma espanhola até estava com uma posse de bola lenta, mas precisou apenas de um momento de desconcentração defensiva lusa para, aos 90+1, Ferrán Torres puxou a marcação de Rúben Dias - que tentou compensar uma falha dos médios - e desmarcou Mikel Merino na área. Desta vez, nem Diogo Costa valeu à seleção e os espanhóis celebraram o 0-1.
Com um golpe tão tardio, só restava esperar um milagre. Isto porque a reação foi tudo menos positiva. Mesmo em desvantagem, a posse de bola pouco ou nada acelerou, os cruzamentos para a área - onde havia pouquíssima presença - eram totalmente ilógicos e a esperança diminuía a cada corte espanhol.
No final, ficou a derrota, a desilusão e a queda daquela que era apelidada como uma das melhores gerações de sempre, mas que nunca se aproximou algo que seja do esperado para a qualidade que temos.
Adeus, Mundial. Foi bom sonhar contigo...
(Em atualização)
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Mikel Merino (Espanha): saltou do branco e ajudou a desbloquear um jogo que parecia amarrado, com um bloco baixo de Portugal que queria claramente o prolongamento. Decisivo.
Rodri (Espanha): o meio campo luso deixou muito a desejar, mas muito se deve ao médio espanhol do Manchester City. Anulou a transição, ajudou na construção e atreveu-se a queimar linhas.
Diogo Costa (Portugal): foi, mais uma vez, o jogador em destaque de Portugal, o que é mau sinal, como é costume. Muito seguro, com um par de grandes defesas e sem culpa no golo da derrota
Nuno Mendes (Portugal): foi incrível no duelo com Yamal enquanto jogou e a seleção sentiu muito a ausência do seu pulmão - mesmo que Nélson Semedo tenha estado bem defensivamente - quando saiu.
Pedro Neto (Portugal): o jogo luso foi previsível, lento e sem personalidade alguma. Podíamos destacar pela negativa vários elementos, como Cancelo ou os médios, mas o extremo do Chelsea foi dos que colecionou mais más decisões. Estar na direita não o ajudou
O árbitro
O inglês Anthony Taylor teve uma exibição sóbria, facilitada pelo ritmo de jogo baixo. Os amarelos surgiram só no final, mas com critério.
Incidentes: O filme do jogo











