«O Mundial começa amanhã»
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Foi desta forma que Roberto Martínez lançou o jogo na conferência de imprensa de antevisão ao embate com a Croácia, considerando que a fase de grupos foi um teste.
Sendo certo que Portugal apresentou melhorias significativas em relação aos três jogos anteriores, a verdade é que apenas podemos dizer que o Mundial arrancou a meio gás: depois de uma primeira parte de grande nível, a segunda foi de sofrimento e só o suplente de luxo resolveu: já nos descontos, Gonçalo Ramos subiu mais alto do que toda a gente, fez o 2-1 e carimbou a passagem lusa aos oitavos de final, onde haverá duelo frente a Espanha.
Ainda assim, não podemos avançar sem fazer referência ao golo anulado à Croácia aos 90’+13, altura em que o sensor da bola (hoje somos todos defensores da tecnologia, certo?) salvou Portugal do prolongamento.
Alta rotação
Se o regresso de João Neves ao onze, por troca com Rúben Neves, era algo esperado, a escolha de Rafael Leão como opção inicial foi algo surpreendente. No entanto, o extremo fez questão de justificar o voto de confiança que lhe foi dado por Roberto Martínez.
Com Portugal montado no habitual 4-2-3-1 e com o camisola 17 a ser lançado pela esquerda, o lateral Stanisic teve um primeiro vislumbre do que o esperava logo aos quatro minutos. Depois de ganhar as costas do adversário, o jogador do Milan serviu Bruno Fernandes, que nem à primeira nem à segunda conseguiu superar a muralha construída por guarda-redes e defesas croatas.
A partir daqui, Portugal partiu para, possivelmente, os melhores 45 minutos do Campeonato do Mundo – nem frente ao Uzbequistão a Seleção mostrou tanta consistência.
Controlo absoluto do ritmo de jogo, reação rápida à perda de bola e sinais muito positivos. Arriscamos mesmo dizer que os minutos foram avançando acompanhados pela ideia de que o conjunto das Quinas iria chegar ao golo com relativa facilidade.
Ainda assim, e mesmo com Bruno Fernandes a testar a atenção de Livakovic em mais ocasião, o intervalo chegou mesmo com o nulo no marcador.
São Diogo e o sensor da salvação
Duvidamos que quem leu a crónica até aqui adivinhe o rumo que o encontro tomou na etapa complementar.
Com as baterias recarregadas, a Croácia ‘entrou finalmente em campo’ e alguns dos seus intervenientes mostraram o porquê de serem considerados dos melhores do mundo.
Mais lento na reação, Portugal teve o primeiro susto logo a abrir, num cenário que se efetivou aos 53’: Nuno Mendes concedeu muito espaço e permitiu o cruzamento pela direita do ataque da Croácia; João Cancelo falhou o corte do lado oposto e Perisic, venenoso, abriu o ativo em Toronto.
Os croatas tiveram um golo anulado pouco depois e Roberto Martínez decidiu operar quatro mudanças de uma vez.

Numa primeira fase, a alteração surtiu efeito. Com Bernardo Silva, Nélson Semedo, Francisco Conceição e Gonçalo Ramos em campo, Portugal chegou ao empate na sequência de um penálti cobrado com mestria por Cristiano Ronaldo.
Ainda assim, rapidamente se percebeu que um meio-campo apenas com Bernardo Silva e João Neves era curto – que o diga Diogo Costa, que foi obrigado a fazer duas defesas de grande nível a remates de Kovacic. Roberto Martínez teve o mérito de entender onde estava a principal falha portuguesa e tirou Cristiano Ronaldo para lançar Rúben Neves. A substituição até podia parecer de tração atrás, mas ajudou Portugal a reequilibrar-se no miolo.
A partir daqui, só com o comprimido debaixo da língua…
Renato Veiga e Pasalic tiveram boas ocasiões - mais uma defesa de Diogo Costa -, mas as redes só voltaram a abanar aos 90’+3. Tal como sucedeu tantas vezes no Paris SG, Gonçalo Ramos saltou do banco, como ‘o Jardel sobre os centrais’ bateu os dois marcadores diretos e soltou a festa nas bancadas.
Quando muitos pensavam que a partida estaria resolvida, a Croácia marcou aos 90’+13 (!), mas o lance foi anulado porque o sensor da bola detetou um ligeiro toque de um croata que ditou a posição irregular do seu colega.
Portugal está vivo e agora há duelo ibérico na próxima segunda-feira, às 20h.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Diogo Costa (Portugal): vem provando, jogo após jogo neste Mundial, que é um dos melhores do mundo na sua posição. Com uma frieza inacreditável, manteve Portugal no jogo na 2.ª parte. A passagem lusa aos oitavos de final muito se deve à elasticidade do camisola 1. Foi o MVP do encontro para a redação do zerozero.
Gonçalo Ramos (Portugal): as palavras começam a ser curtas para descrever os moldes em que a carreira do avançado tem evoluído. Nos últimos dois anos, mostrou que é exímio na arte de marcar após sair do banco no PSG; agora, fez o mesmo na Seleção. A forma como ganha posição aos defesas croatas está ao alcance de poucos.
Mateo Kovacic (Croácia): vem de uma época em que praticamente não foi utilizado no Manchester City, mas tal facto não belisca nem um pouco a qualidade que possui. Foi um dos principais responsáveis pelo crescimento croata na 2.ª parte e só não marcou porque teve pela frente um enorme Diogo Costa.
Pedro Neto (Portugal): é um dos jogadores da confiança de Roberto Martínez, mas teve dificuldade em fazer a diferença na partida desta madrugada. É certo que ajudou João Cancelo do ponto de vista defensivo; no entanto, pouco acrescentou ofensivamente.
O árbitro
Espen Eskås teve, com toda a certeza, um dos jogos mais desafiantes da carreira. Pese embora tenha cumprido bem o seu papel dentro do retângulo de jogo, necessitou bastante da ajuda do VAR para levar o encontro a bom porto.
Incidentes: O filme do jogo









