Não pondo em causa a componente coletiva do futebol, o jogo desta quinta-feira entre FC Porto e Nottingham Forest foi o exemplo perfeito do impacto que a ação individual de um jogador pode ter numa equipa.
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A precisar de ganhar para seguir para as meias-finais da Liga Europa, isto depois do empate a uma bola registado há uma semana no Estádio do Dragão, os dragões viram Bednarek ser expulso aos oito minutos, num cenário que castrou quase por completo as ambições azuis e brancas em Inglaterra.
Apesar da forte reação portuguesa na segunda parte- duas bolas à barra-, o 1-0 foi mesmo o resultado final, pelo que a equipa de Francesco Farioli diz adeus à competição.
Déjà vu a abrir e desacerto total
Acreditamos genuinamente que a expressão déjà vu descreve na perfeição o que se viu no primeiro minuto de jogo. Afinal de contas, à semelhança do que havido acontecido na primeira mão, Moffi apareceu completamente isolado na cara do guarda-redes adversário, mas voltou a desperdiçar.

A partir daqui, a história da primeira parte é fácil de explicar: com uma entrada completamente despropositada sobre Chris Wood (pitões cravados no joelho)- o avançado teve mesmo de ser substituído-, Bednarek viu o cartão vermelho logo a abrir.
Para piorar, quatro minutos depois, os da casa chegaram à vantagem. Após roubar a bola a Alberto Costa, Gibbs White avançou no terreno, rematou forte e, beneficiando de um desvio em Pablo Rosario, pôde festejar.
Francesco Farioli, mesmo tendo lançado Alan Varela e Kiwior para o aquecimento logo após a expulsão, optou por não fazer alterações, baixando apenas Pablo Rosário para central e juntando Gabri Veiga a Fofana no miolo- Moffi ficou sozinho na frente.
A decisão, essa, parece ter sido errada. Até ao descanso, os azuis e brancos nunca se conseguiram encontrar e as jogadas em que elementos do Forest apareceram soltos no espaço entre o meio campo e a defesa multiplicaram-se.
Com este cenário, Murilo, Igor Jesus e Nicolás Domínguez (principalmente este) estiveram perto de dobrar a vantagem do Nottingham, mas o 1-0 perdurou até ao descanso.
O empate ali tão perto…
Se deixámos críticas à exibição portista na primeira parte, temos de tirar o chapéu à forma como os dragões reagiram na etapa complementar.
Farioli fez entrar quatro jogadores- Kiwior, Froholdt, Alan Varela e Francisco Moura- e o melhor elogio que se pode fazer é que não mais se sentiu que os portugueses estavam em desvantagem numérica.
Com Thiago Silva a liderar a partir de trás de forma monstruosa, o FC Porto foi ficando confortável com bola e ficou mesmo perto do empate. Aos 57’, após um cruzamento da esquerda de Fofana, William Gomes atirou de primeira à barra da baliza adversária. Aos 84’, o protagonista foi Alan Varela, que também rematou à barra.
Nos minutos finais, numa altura em que até Diogo Costa já subia à área adversária, Igor Jesus também tirou tinta ao ferro da baliza portista, mas o resultado não viria a sofrer mais alterações.
O FC Porto despede-se assim da Europa, pelo que o SC Braga segue como único representante luso nas competições internacionais.
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Morgan Gibbs-White (Nottingham Forest): é certo que marcar um golo decisivo numa eliminatória da Liga Europa coloca qualquer jogador em boa posição para ser considerado o MVP do encontro. No entanto, o capitão do Forest fez muito mais do que isso. Inteligente na forma como se movimentou e encontrou espaço nas costas do meio campo do FC Porto, foi uma dor a de cabeça constante para os portugueses.
Thiago Silva (FC Porto): não queremos insistir no mesmo tema, mas o nível que Thiago Silva apresenta aos 41 anos deveria ser estudado. Sempre bem posicionado, o brasileiro foi o patrão da defesa azul e branca. Na 2.ª parte em especial, teve uma mão cheia de cortes absolutamente decisivos. É uma daqueles casos em que 'dá aulas' sempre que é chamado a jogo.
Victor Froholdt (FC Porto): entrou no arranque da etapa complementar e foi decisivo na reação portista. Incrivelmente disponível a nível físico- tal como é seu apanágio-, partiu da direita, mas foi comum vê-lo pisar outros terrenos. Parece cada vez mais destinado a voos ainda mais altos.
Neco Williams (Nottingham Forest): tem uma belíssima escola (fez toda a formação no Liverpool) e isso nota-se em cada toque que dá na bola. A jogar pela esquerda, mesmo sendo destro, foi comum vê-lo subir no campo e conduzir jogadas para terrenos mais interiores.
Jan Bednarek (FC Porto): muitas vezes elogiado, nesta quinta-feira teve um jogo para esquecer. A entrada sobre Chris Wood- atingiu o joelho do adversário com os pitons ao levantar em demasia o pé- foi claramente imprudente e deitou por terra as esperanças portistas de seguir em frente.
Terem Moffi (FC Porto): a forma como desperdiçou a oportunidade de que dispôs logo no primeiro minuto- isto depois de ter feito o mesmo na semana passada- foi displicente e impossibilitou o FC Porto de ficar confortável logo a abrir. Depois da expulsão, ficou muito desapoiado na frente e acabou substituído sem antes ter criado impacto.
O árbitro
Com um critério ajustado, Danny Makkelie teve uma exibição globalmente positiva. Ainda assim, há a assinalar o facto de só ter mostrado o cartão vermelho a Bednarek após indicação do VAR.
Incidentes: O filme do jogo














