Sugere-se, por aí, que não se deve voltar a um sítio onde já se foi feliz, mas essa (dúbia) premissa parece não ter afetado o SC Braga! 15 anos depois, os minhotos voltaram a sorrir em Sevilha, superiorizando-se ao Real Betis, num assustador La Cartuja, para carimbar a passagem às meias da Liga Europa. Está escrita uma nova página dourada nos livros dos arsenalistas!
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Com este resultado, a turma de Carlos Vicens avança na prova, dando continuidade a um percurso que arrancou em agosto! O adversário que separa a formação de Braga e a final da competição é o SC Freiburg.
Abde-cabrada!
Vulcão em erupção: esta parece ser a melhor forma para descrever o ambiente vivido num La Cartuja a abarrotar de verde e branco. As vozes dos adeptos heliopolitanos engrandeceram a postura da turma da casa e provocaram um SC Braga algo anárquico nos primeiros momentos do encontro - com pouca certeza no passe a algum nervosismo à mistura.
O Betis soube transformar as falhas de atenção minhotas em superioridade - uma perda de bola por parte de Gorby desencadeou uma série de jogadas perigosas - e pareceu sempre que alcançar o golo seria uma questão de tempo. Até que foi: no seguimento de um erro bracarense a meio-campo, o velocista Abde correu largos metros pela esquerda e enviou um presente envenenado para o interior da área, onde Antony encostou com um cabeceamento milimétrico.
Carlos Vicens viu-se obrigado a mexer nas peças - não por motivos táticos, mas sim por lesão -, colocando Gabriel Moscardo no lugar de Bright Arrey-Mbi. Numa altura em que os jogadores do conjunto luso ainda procuravam adaptar-se face à entrada de um elemento novo, Pablo Fornals serviu Abde Ezzalzouli, que dilatou a vantagem e agravou a fase delicada dos Gverreiros do Minho - tudo isto antes da meia hora de jogo!
Tudo pareceu desmoronar-se pouco depois, quando Abde balançou as redes pela terceira vez na noite quente em Sevilha, mas o lance foi anulado com auxílio do VAR devido a posição irregular na jogada. Após largos minutos de 'sofrimento', os minhotos conseguiram reduzir - Pau Victor rematou à meia-volta, aproveitando um desvio sublime de Víctor Gómez para conferir alento aos visitantes. O golo perto do intervalo ajudou o SC Braga a colocar água na fervura e tudo seguiu em aberto para o segundo tempo.
Que palestra, mister Vicens!
O primeiro destaque da segunda parte deste destaque vai para Carlos Vicens. Não estivemos dentro do balneário do SC Braga ao intervalo, é certo, mas a palestra surtiu efeitos imediatos, na medida em que os minhotos conseguiram operar a reviravolta no marcador em apenas... oito minutos!
Vitor Carvalho, à central, apareceu no interior da área e aproveitou o passe de Ricardo Horta, na sequência de um livre, para se antecipar ao guardião contrário e rubricar o tento da igualdade - início melhor parece-nos impossível, caro leitor! Pouco depois, Amrabat derrubou Tiknaz no interior da área, levando Ricardo Horta a firmar o terceiro dos bracarenses da marca dos onze metros - puro cinema!
Podia assumir-se que o SC Braga iria atuar com maior tranquilidade face à vantagem conquistada, mas tal não foi o caso. O Real Betis fez de tudo para manter um ritmo de jogo alucinante, obrigando a turma minhota a atenção redobrada e a um esforço físico de elevada intensidade. Os da casa foram assustando por diversas ocasiões, mas a linha defensiva do conjunto luso manteve-se coesa e foi afastando o perigo a espaços.
E como quem não marca... volta a sofrer, eis que os bracarenses ampliaram a vantagem com recurso a um verdadeiro golaço de Gorby! O jovem médio francês apareceu à entrada da área e aproveitou uma bola solta para rubricar um remate de primeira verdadeiramente assinalável - destaque, também, para o trabalho individual de Gabri Martínez na jogada.
A maturidade que os pupilos de Carlos Vicens apresentaram, aliada à segurança com que enfrentaram os minutos finais, foram cruciais para operar uma remontada deste tamanho na casa do gigante Real Betis. A turma espanhola lutou até ao fim para reentrar na decisão, mas foi incapaz de travar uma das maiores conquistas do SC Braga nos últimos tempos!
Venham as adversidades, porque estes Gverreiros não se vergam à Realeza!
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Pau Victor (SC Braga): joga, faz jogar e tem se afirmado, semana após semana, como elemento fundamental para Carlos Vicens! A adaptabilidade que demonstra - parece jogar bem em qualquer posição/função - elevam o seu jogo para um patamar em que consegue ser decisivo com simples detalhes e esta noite, no La Cartuja, fez a diferença!
Ricardo Horta (SC Braga): a experiência do capitão falou mais alto e o camisola '21' do SC Braga carregou a equipa com uma entrada estrondosa no segundo tempo. Com uma exibição verdadeiramente assinalável, Ricardo Horta voltou a mostrar o peso da sua presença e mexeu certamente com a cabeça de Roberto Martínez.
O árbitro
Não foi um jogo fácil para Davide Massa, na medida em que os ânimos foram escalando com o aumento da temperatura no La Cartuja! Ainda assim, o juiz do encontro não foi protagonista, recorreu de forma acertada à 'ajuda' do VAR e manteve o critério durante todo o encontro.
Incidentes: O filme do jogo





