Houve muito do jogo do campeonato no encontro desta quarta-feira- pelo menos as vertentes mais táticas e estratégicas voltaram a estar em evidência-, mas, desta vez, o FC Porto muniu-se também de eficácia para levar de vencido (1-0) o Benfica.
Veja Também
- Villas-Boas explica porque não esteve ao lado de Rui Costa no Clássico: «Retribuí da mesma maneira»
- Kiwior à esquerda, Thiago Silva no meio: a máquina de Farioli está oleada na perfeição
- Mourinho: «Dominámos o jogo do princípio ao fim»
Com este resultado, os dragões carimbaram a passagem às meias-finais da Taça de Portugal e confirmaram (como se a Liga já não fosse o indicador perfeito) que, neste momento, estão num patamar claramente acima dos rivais em Portugal.
Surpresas e força nas alturas
Ainda que ambos os treinadores se tenham mantido fiéis aos seus sistemas táticos habituais, a verdade é que houve surpresas nos dois onzes. Do lado azul e branco, Thiago Silva estreou-se logo como titular, levando Kiwior para a lateral esquerda; nos encarnados, José Mourinho colocou Aursnes ao lado de Ríos no miolo e lançou Sidny Cabral do lado esquerdo do ataque.

Pese embora o início do encontro tenha sido equilibrado, com os dois conjuntos a aproveitarem os minutos iniciais para se estudarem, a primeira grande ocasião de golo resultou mesmo no tento azul e branco. Na sequência de um canto cobrado por Gabri Veiga na direita, Bednarek superou a marcação de Leandro Barreiro e, de cabeça, rematou sem qualquer hipótese de defesa para Trubin- não mentimos que este dragão está a voar demasiado alto.
O tento alcançado, conjugado com o excelente ambiente proporcionado pelos adeptos nas bancadas, teve o condão de entusiasmar os jogadores azuis e brancos. Ou seja, a partir daqui viu-se quase sempre os comandados de Francesco Farioli mais ativos e predispostos para a disputa dos lances.
E mesmo que a primeira parte tenha terminado com uma grande oportunidade para o Benfica- Diogo Costa defendeu o remate de Leandro Barreiro com o pé-, José Mourinho saiu para o balneário, com quase toda a certeza, inquietado, isto na medida em que Richard Ríos teve de ser substituído após uma lesão aparentemente grave no braço direito.
Pavlidis a centímetros de ser feliz
Após o descanso, o Benfica, a perder, assumiu as despesas do encontro e esteve efetivamente por cima. Ainda assim, a posse de bola encarnada pareceu sempre relativamente controlada pelos azuis e brancos, que foram aproveitando para sair no contra-ataque.
Neste capítulo, há claramente a destacar duas situações: em primeiro lugar, a capacidade de Samu em segurar bola de costas para a baliza adversária; depois, a facilidade com que o FC Porto conseguiu, em determinados momentos, sair a jogar dentro do bloco da equipa de José Mourinho.
Duas das melhores ocasiões do Benfica surgiram dos pés de Tomás Araújo (remate ao lado) e de Sidny Cabral (defesa atenta de Diogo Costa após livre lateral). Ainda assim, deu claramente a ideia que a reação encarnada foi curta para quem disputava o acesso a uma meia-final da Taça de Portugal.

Mesmo com Bednarek a ter de sair devido a problemas físicos- Pablo Rosario baixou para defesa-central-, o FC Porto foi aguentando as investidas adversárias. A grande exceção foi um lance em cima dos 90 minutos em que Pavlidis, à boca da baliza, falhou o desvio após um cruzamento da esquerda. O grego teve nos pés a possibilidade de fazer as águias felizes, mas acabou por desperdiçá-la
O apito final ditou assim o apuramento do FC Porto, que se junta a Torreense e Fafe na próxima fase da prova rainha- Sporting e AFS vão disputar o lugar que falta definir. Do lado encarnado, a eliminação nesta competição junta-se à da semana passada na Taça da Liga e aos dez pontos de desvantagem no campeonato. A vida das águias não está nada fácil…
Análise dos Jogadores: Notas e Avaliação
Jan Bednarek (FC Porto): Assumiu com naturalidade o papel de líder da defesa azul e branca no início da temporada. No entanto, está a conseguir juntar também relevância do ponto de vista ofensivo. Na partida desta quarta-feira, marcou e levou os azuis e brancos até à próxima fase da Taça de Portugal. Resta perceber qual a extensão da lesão que o fez deixar o relvado mais cedo.
Samu (FC Porto): A resposta que Francesco Farioli deu na conferência pós-jogo quando questionado sobre o avançado- o treinador assumiu mesmo que já o trata por ‘Francesco Totti’- é elucidativa da evolução que este tem tido. É certo que não marcou, mas o que ofereceu no jogo associativo é digno de registo. Cada vez mais completo.
Thiago Silva (FC Porto): Quem diria que estava a fazer a estreia pela equipa do FC Porto? Aos 41 anos, o internacional brasileiro chegou a ‘todo o gás’ aos azuis e brancos. Fazendo uso da sua experiência, foi imperial do ponto de vista posicional e teve uma mão cheia de cortes importantes. Sinais bastante positivos para o futuro.
Tomás Araújo (Benfica): Foi, muito provavelmente o jogador ‘mais’ do Benfica. Esteve quase sempre bem posicionado do ponto de vista defensivo, fez cortes importantes, soube sair a jogar com a qualidade habitual e ainda esteve perto do golo à passagem do minuto 59.
Sidny Cabral (Benfica): Na estreia a titular pelo Benfica, o ex-Estrela da Amadora teve uma exibição um tanto ao quanto discreta. É certo que conseguiu criar perigo quando fez uso da sua velocidade, mas apresentou dificuldades no momento da decisão.
O árbitro
Fábio Veríssimo sabia de antemão que a missão hoje não era simples. Apesar disso, e mesmo tendo em conta todas as altercações entre jogadores, soube conduzir o encontro de forma relativamente tranquila- mesmo que tenha 'puxado' do cartão amarelo várias vezes. Não teve influência direta no resultado final.
Incidentes: O filme do jogo







