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Verein für Leibesübungen Wolfsburg e. V., conhecido entre nós como VfL Wolfsburgo é uma das forças emergentes do futebol alemão no novo milénio.
A sua história ainda é curta, se tomarmos como comparação os seus principais adversários na Bundesliga. Contudo, os últimos vinte anos foram de um crescimento desportivo sustentado dos "lobos" da Baixa Saxónia, ao ponto de se cimentar entre os principais clubes germânicos na segunda década do novo século.
Durante anos, o Wolfsburg era um mero clube fabril dos operários da Volkswagen. A ligação dos "lobos verdes" ao gigante da indústria automóvel é umbilical e remonta aos anos 30....
As origens: o carro do povo
A história do Wolfsburg remonta ao período nazi e a um período de profunda transformação política e económica da Alemanha durante o III Reich. Os nazis tinham subido ao poder em 1933 e ansiavam mudar por completo a organização social e económica do país. Adolf Hitler sonhava com uma Alemanha tecnologicamente avançada e economicamente poderosa.
A indústria automóvel alemã era incipiente, produzindo carros de luxo em detrimento do grande público, ao contrário do que acontecera nos EUA com a Ford e o seu emblemático modelo T que generalizara o uso do automóvel.
Em meados da década só um em cada cinquenta alemães tinha carro, Hitler queria mudar isso e lançou o projeto de se construir um carro por menos de mil marcos. Nascia o sonho do "carro do povo", com o governo nacional socialista a fazer pressão sobre os grandes barões da indústria germânica, com o intuito de produzir esse automóvel. Ao mesmo tempo o estado lançava uma rede de autobahns (autoestradas) por todo o país que necessitava com urgência um grande número de carros.
Por toda a Alemanha surgiam slogans como «Fünf Mark die Woche musst du sparen, willst du im eigenen Wagen fahren» (1) que incentivavam o comum trabalhador alemão à poupança.
Todavia, a falta de investimento privado obrigou o governo nazi a tomar as rédeas do plano e a investir fortemente. Um dos grandes investimentos seria a construção de uma cidade na Baixa Saxónia para albergar a fábrica e ser a casa dos milhares de trabalhadores necessários.
A 1 de julho de 1938 nascia a Stadt des KdF-Wagens bei Fallersleben (Cidade do Carro KdF (2) em Fallersleben) mas pouco mais de um ano depois, com o ínicio da Segunda Guerra Mundial, o complexo industrial deixaria a produção automóvel em detrimento do esforço de guerra alemão.
Lobos
O primeiro clube afiliado com a fábrica seria o BSG Volkswagenwerk Stadt des KdF-Wagen, equipa dos operários e dos seus familiares. Esta equipa começaria a disputar a primeira divisão da Gauliga Osthannover em 1943/44 e participaria na edição seguinte, que seria interrompida quando a região foi ocupada pelos aliados.
As autoridades inglesas interromperam as competições desportivas na região e a cidade seria rebatizada com o nome de um famoso castelo que se locava na região: Wolfsburgo.
A Cidade dos Lobos não deixava de ser uma escolha curiosa, tendo em vista que Hitler era conhecido nos círculos mais próximos como Wolf (pt: Lobo) e tinha o seu famoso Quartel General da Frente Oriental no Wolfsschanze, em português A Toca do Lobo.
Um clube operário
Já terminado o conflito, a 12 de setembro, o clube renascia pela mão do treinador Bernd Elberskirch com o nome de VSK Wolfsburg. O treinador também foi responsável pelas novas cores do clube ao oferecer à equipa dez camisolas verdes que tinha em casa. Os calções brancos seriam doados pelos adeptos que reuniram lençóis brancos, que as mães e mulheres dos jogadores coseram para se tornarem numa peça de equipamento.
A Alemanha do pós-guerra era um mar de ruínas. A vida no que fora o III Reich era de uma luta pela sobrevivência diária. Em dezembro o clube esteve quase a acabar, quando com a exceção de um jogador, todos os restantes abandonaram a equipa para jogar no novo 1. FC Wolfsburg. Josef Meyer, o resistente, juntou-se ao amigo Willi Hilbert para trazer novos jogadores para o clube.