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    Tim Duncan: «The Big Fundamental»

    Texto por Igor Gonçalves
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    Há poucas superestrelas na NBA tão regulares e confiáveis como Tim Duncan. O «The Big Fundamental» retirou-se com cinco anéis de campeão e com uma carreira que poderia servir de modelo para todos os que lhe seguiram. Sem necessidade de ter o holofote sobre ele, o poste tem o estatuto de ser o melhor Power Foward da história da Liga e fê-lo sem birras, sem polémicas e sempre na mesma equipa.

    Timothy Theodore Duncan nasceu a 25 de abril de 1976, nas Ilhas Virgens dos EUA, um pequeno território no mar do caribe.  Duncan viveu com os pais e com as duas irmãs sem grandes problemas e, antes de pensar no basquetebol, era um nadador exímio, tal como a irmã mais velha. A capacidade nas piscinas era tal que tudo apontava para que conseguisse garantir presença na equipa olímpica dos EUA, para os Jogos Olímpicos de 1992.

    Promessa à mãe fê-lo ir rejeitando a NBA

    Ainda assim, em 1989, um forte furacão destruiu parte da zona onde vivia nas Ilhas Virgens, incluindo as únicas piscinas onde podia treinar. Duncan ainda tentou treinar no mar, mas o seu medo de tubarões levou-o a desistir da natação. Nessa altura, o então jovem de 13 anos sofreu outra avdersidade, com a morte da mãe devido a um cancro. Antes desta morrer, prometeu-lhe que não iria desistir dos estudos e que iria completar a universidade, uma decisão que acabou por moldar a sua carreira na NBA.

    Foi já depois da morte da mãe que se dedicou ao basquetebol, como forma de se manter ocupado e para não pensar na perda que tinha acabado de sofrer. Apesar de algumas dificuldades iniciais, Duncan brilhou no seu único ano de liceu e recebeu vários convites de universidades. Acabou por aceitar o de Wake Forest e foi aí que se tornou uma das grandes promessas do basquetebol norte-americano. Apesar das médias impressionantes e de ser sempre apontado ao draft da NBA, Tim Duncan sempre rejeitou entrar na Liga antes de completar os quatro anos de universidade, cumprindo assim a promessa que tinha feito à mãe, mesmo abdicando de milhões de dólares em contratos.

    Garantido o diploma em psicologia, e depois de ter sido eleito o jogador universitário do ano em 96/97, Duncan declarou-se para o draft da NBA em 1997.

    Impacto imediato na NBA

    Formou uma dupla temível com David Robinson @Getty /
    De forma natural, foi a primeira escolha do draft e foi escolhido pelos San Antonio Spurs. A equipa do Texas já estava em crescimento naquela fase. Já tinha o treinador Gregg Popovich no banco, mas uma lesão sofrida sua estrela, David Robinson, fez com que a época 96/97 tivesse corrido tão mal que a equipa ficou na última posição da Liga, o que lhe permitiu com a primeira escolha no draft.

    Estava pintado o cenário para a formação daquilo que viria a ser conhecido como as «Twin Towers» (Torres Gémeas) de San Antonio. De um lado, o poste veterano David Robinson, do outro o jovem de técnica perfeita, Tim Duncan. Juntos viriam a transformar uma equipa sem grande história numa das maiores candidatas ao título.

    O primeiro ano de Duncan na Liga foi verdadeiramente impressionante. Jogando os 82 jogos da fase regular, fez médias de 21.1 pontos, 11,9 ressaltos e 2,5 blocos. De forma natural, foi eleito Rookie do Ano, foi escolhido para o jogo All-Star e até entrou na equipa defensiva do ano. A sua equipa voltou aos playoff, tendo perdido na segunda ronda, perante a experiente equipa dos Utah Jazz, liderada por Karl Malone e John Stockton.

    Tim Duncan apenas precisou de um ano para se tornar uma estrela na Liga, mas o melhor estava para vir. Na época seguinte, uma temporada mais curta devido a um Lockout, os Spurs foram impressionantes, especialmente as suas duas torres. A equipa chegou aos playoff no primeiro lugar da fase regular e foi ainda mais impressionante na segunda fase da temporada.

    Bateu os Wolves na 1ª ronda e venceu sem derrotas os Lakers, de Kobe e Shaq, e os Portland Trail Blazers para chegar à final. Nessa final, a equipa do Texas encontrou a surpresa da temporada, os NY Knicks e, sem grandes dificuldades, o título ficou mesmo em San Antonio, pela primeira vez na história. Tim Duncan dominou as finais e venceu o prémio de MVP. Portanto, no segundo ano da Liga, o poste de 22 anos já tinha um anel no dedo e um prémio de MVP das finais.

    Primeiro título chegou na 2ª época @Getty /

    Os dois anos seguintes foram de crescimento, mas de frustração. Em 99/00, Duncan lesionou-se antes dos playoff e a equipa foi eliminada cedo. Em 00/01, os Spurs tinha expectativas altas, mas não conseguiram rivalizar com os Lakers na finais de confência, tendo sido esmagados por 4x0.

    Prémios MVP e títulos ano sim, ano não

    David Robinson começava a mostrar sinais claro de declínio e a época 01/02 marcou definitivamente a passagem da tocha para Duncan. O poste não só aceitou, como explodiu nessa altura. Já com o base francês Tony Parker na equipa, Duncan terminou a temporada com médias de 25,5 pontos, 12,7 ressaltos, 3,7 assistência e 2,5 blocos. Esses números valeram-lhe o primeiro de dois prémios MVP seguidos. Apesar da qualidade de Duncan, os Spurs voltaram a ser eliminados nos playoff pelos LA Lakers.

    Rivalidade épica com os Lakers @Getty /
    Só em 02/03 é que os Spurs e Tim Duncan conseguiram voltar a levar a melhor sobre os rivais LA Lakers. Já com o argentino Manu Ginobili na equipa, Duncan voltou a ser MVP e os Spurs conseguiam chegar às finais da NBA, batendo os Nets, de Jason Kidd. Seria o segundo título da carreira e o segundo prémio de MVP das finais para Timmy. No final da temporada, Duncan perderia o seu mentor, David Robinson, que se retirou.

    Na época seguinte, nova derrota para os LA Lakers nos playoff, sendo que 04/05 foi quando se começou a assistir a uma mudança no estilo de jogo dos Spurs. Gregg Popovich pediu a Duncan que baixasse as suas médias e o seu volume de jogo, dando assim oportunidades a Tony Parker e a Manu Ginobilli para se evidenciarem, num sistema de jogo muito mais virado para o coletivo. Como resultado, os Spurs voltaram a estar presentes nas finais da NBA em 2005, batendo os Detroit Pistons. Era o terceiro anel para Duncan e, com ele, mais um prémio de MVP das finais.

    Retirou-se com dois prémios MVP @Getty /
    Em 05/06, Duncan teve vários problemas físicos e os Spurs acabaram por perder na 2ª ronda dos playoff, contra os Dallas Mavericks. Ora, continuando a tradição de ano sim, ano não, 06/07 seria época de novo campeonato para os Spurs. Com o seu big-3 em total domínio, a equipa do Texas bateu Denver, Suns e Jazz nos playoff, chegando à final contra os Cleveland Cavaliers, liderados pelo jovem Lebron James. Apesar da espetacularidade do extremo dos Cavs, o experiente trio de Parker-Duncan-Manu foi demasiado forte e os Spurs venceram por 4x0. Duncan chegava ao 4º título em dez temporadas de NBA e era unanimente visto como um dos melhores da história por colegas, rivais e até antigas glórias do jogo.

    Anos de frustração

    Seguiram-se depois anos de frustrações nos playoff. Em 07/08, nova derrota para os Lakers na final de conferência, em 08/09 derrota para os Dallas na 1ª ronda, em 09/10 derrota para os Suns na 2ª ronda. Em 10/11, tudo parecia que ia ser diferente. Os Spurs terminaram com o melhor record no Oeste e eram vistos como os grandes favoritos, mas uma derrota contra os Memphis Grizzles na primeira ronda (apenas a 2ª vez na história que o 8º eliminou o 1º) levantou críticas e deu o rótulo de «acabado» a Tim Duncan.

    O certo é que as críticas só fizeram elevar o jogo dos Spurs e do próprio Duncan. Nas três épocas seguintes, a equipa do Texas chegou sempre pelo menos à final de conferência. Em 11/12, perderam contra os OKC, mas nos dois anos seguintes chegaram sempre às finais, tendo uma rivalidade intensa com os Miami Heat do Big-3 Lebron, Wade e Bosh.

    Último título

    As finais de 2013 e 2014 foram o pico da forma coletiva de jogar dos Spurs criada por Gregg Poppovich. O experiente treinador percebeu que não tinha como jogar homem a homem e vencer uma equipa que estava no pico da forma e que ainda tinha um Lebron James impressionante, por isso adoptou um estilo de jogo baseado no passe e no movimento constante. Em 2013 ficou muito perto de resultar: a equipa do Texas esteve a vencer por 3x2 e, no jogo seis, parecia que o título ia ficar mesmo para Duncan e companhia (uma companhia que era feita pelos também veteranos Tony Parker e Manu Ginobilli, mas também já de um rookie impressionante chamado Kawhi Leonard). Ora, voltando ao jogo 6, quando já se faziam os preparativos para a festa dos Spurs, mas eis que uma recuperação e um triplo histórico de Ray Allen levaram o jogo para prolongamento. Os Heat foram mais fortes e venceram esse jogo, tal como o jogo 7.

    Demorou apenas um ano para que os Spurs se vingassem. Em 2014, nova final entre as duas equipas e desta vez a equipa do Texas foi verdadeiramente impressionante. Com Kawhi Leonard a brilhar na defesa a Lebron e com o estilo de jogo coletivo no ataque, a equipa de Duncan, então com 37 anos, venceu o 5º título. 

    Trio Manu-Parke-Duncan venceu quatro títulos @Getty /

    Seguiram-se mais três anos de carreira para Duncan, sempre com a equipa a estar presente nos playoff. Ainda assim, a idade já não perdoou e a equipa de San Antonio acabou por ser sempre eliminada perante formações mais jovens.

    A retirada e a carreira no banco

    Duncan decidiu retirar-se no verão de 2016, com o seu último jogo a ter sido a 12 de maio, na derrota contra os OKC, que ditou o afastamento da equipa na 2ª ronda dos playoff.

    É adjunto dos Spurs @Getty /
    Pouco depois de se retirar, Dunca viu a sua camisola retirada pela equipa do Texas (detém os recordes da equipa de pontos, ressaltos, jogos etc etc) e, em 2019, foi anunciado como treinador adjunto de Gregg Popovich, tendo mesmo já orientado a equipa na ausência do experiente treinador.

    Retirou-se com uma das melhores carreiras da história da NBA. Cinco anéis, dois MVP, três MVP das finais, Rookie do Ano e presenças constantes nas equipas do ano. Ainda hoje, muitos acreditam que, se Duncan não tivesse abdicado tão cedo do protagonismo para beneficiar a equipa, estaríamos a falar de um dos melhores marcadores da história do jogo, tal como um dos melhores ressaltadores e um dos líderes em blocos. Retirou-se com 26496 pontos, 15091 ressaltos e 3381 blocos. Números impressionantes…

    Tim Duncan foi o protótipo de uma superestrela. Tranquilo, com fundamentos de jogo perfeitos (o seu lançamento à tabela a 45 graus era impossível de parar) e sem manias de vedeta. Vamos ver se a carreira de treinador terá o mesmo sucesso.

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