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    Steve Nash: «Overrated» ou «underrated»?

    Texto por Igor Gonçalves
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    Há poucos jogadores na NBA que são MVP (neste caso duas vezes) e que são tão contestados na sua grandeza, como é o caso de Steve Nash. Um base que, durante anos, foi sinónimo de uma forma de jogar específica, que foi sinónimo de excelência de lançamento e um base que é dos poucos na história a ter ganho dois prémios de MVP seguidos. Ainda assim, é um dos jogadores mais desvalorizados das últimas décadas. 

    Shaquille O’Neal, que perdeu a corrida para um desses MVP, disse recentemente que Nash é um «MVP por simpatia» e que apenas conseguiu explodir já dentro dos 30 anos devido à abolição da regra do «hand checking» (já vamos explicar). Esta opinião de Shaq, que até foi colega de equipa do base em Phoenix, é partilhada por uma grande percentagem das pessoas que comentam e falam de NBA. 

    Mas vamos começar pelo início. Stephen John Nash nasceu a 7 de fevereiro de 1974 em Johannesburg, na África do Sul. O pai foi jogador de futebol profissional durante largos anos e jogou até na Europa. Muito novo, Nash foi viver para o Canadá, tendo adquirido ainda em jovem a dupla nacionalidade canadiana e sul-africana.

    Cedo demonstrou apetência para o desporto, especialmente para o hóquei no gelo, o futebol e, mais tarde, o basquetebol. Cumpriu o liceu em St. Michaels, um colégio privado. Foi aí que passou a dedicar-se ao basquetebol e a dar os primeiros sinais de que podia fazer carreira no desporto. Na última temporada de secundário foi eleito o jogador do ano no estado e levou a sua equipa a final do campeonato. 

    Universidade e entrada modesta na NBA

    Seguiu-se a passagem para a Universidade, mas, ao contrário do que o próprio Nash esperava, o interesse foi pouco. Apenas a universidade de Santa Clara quis o base. Foi regular nos três primeiros anos, tendo levado a sua equipa a estar presente na fase decisiva da época pela primeira vez em largos anos. Ainda assim, quando em 1995 se dispôs a entrar no draft da NBA, recebeu pouca atenção e as projeções apontavam-no como sendo uma escolha de 2ª ronda. Por isso, decidiu ficar mais um ano na universidade e foi esse ano que fez toda a diferença. Com médias de 17 pontos e seis assistências, levou a sua universidade a vencer a conferência, tendo sido eleito o jogador do ano dessa mesma conferência.   

    Passou os dois primeiros anos em Phoenix @Getty / CHRIS BERNACCHI
    Passou então a profissional. Foi escolhido como 15ª escolha no draft de 1996, pelos Phoenix Suns, sendo que passou o primeiro ano praticamente sentado no banco de suplentes. Numa equipa onde estavam bases como Sam Cassell, Kevin Johnson ou Jason Kidd, o jovem Nash terminou a sua primeira temporada com média de 10 minutos por jogo. Só no segundo ano, com a entrada do treinador Donnie Nelson para adjunto dos Suns e com a saída de Sam Cassell, é que Nash passou a ter mais minutos, sendo a segunda opção do titular Jason Kidd.

    Afirmação em Dallas

    Mesmo mostrando alguns flashes de talento e liderança, os Phoenix Suns não olhavam para Steve Nash como uma opção de futuro na equipa e aceitaram trocá-lo para os Dallas Mavericks no verão de 2008. Foi em Dallas que Nash passou a ser visto como um dos bons bases da NBA, tendo criado logo uma relação de entendimento e amizade com o então rookie Dirk Nowitzki, algo que ajudou à afirmação dos dois jogadores.

    A equipa foi crescendo e a terceira temporada (2000-2001) foi o ano de explosão de Nash. Com médias de 15,6 pontos e 7,3 assistências, o base ajudou Dallas a chegar pela primeira vez em mais de uma década aos playoff, perdendo na 2ª ronda para os rivais San Antonio Spurs. Na temporada seguinte, veio a primeira escolha para estar presente no jogo All-Star e uma nova eliminação na 2ª ronda dos playoff, desta vez contra os Sacramento Kings. 

    Afirmou-se em Dallas @Getty /
    Seguiram-se mais duas épocas de sucesso (incluindo uma derrota na final de conferência), até que, no verão de 2004, chegou o momento em que Steve Nash, então com 30 anos, se tornava free agent. Mark Cuban, dono dos Mavs, ainda tentou ficar com o base, mas os salários altos que já pagava a Dirk Nowitzki, Antawn Jamison ou a Michael Finley impediram que fosse feita uma proposta do agrado do jogador. Quem não perdeu a oportunidade foram os Phoenix Suns, que ofereceram ao canadiano um contrato de seis anos, no valor de 63 milhões de dólares. 

    Chegada a Phoenix e as mudanças na NBA

    O regresso a Phoenix coincidiu com dois fatores que tornaram Steve Nash num jogador de máximo calibre da NBA. O primeiro foi a implantação do sistema «seven seconds or less» por parte do trenador Mike D’Antoni. Um sistema de jogo baseado no ataque rápido, no pick and roll entre Nash e o poste Amar'e Stoudemire e em que o lançamento exterior tinha uma importância grande na marcação de pontos. Os ataques deviam durar «sete segundos ou menos» e este sistema foi a base para a geração posterior da NBA, onde o lançamento exterior passou a ser a principal arma. 

    A outra grande mudança foi a exclusão, por parte da Liga, do «hand checking». Esta regra permitia aos defensores estarem a tocar nos adversários que tinham bola. Não os podiam agarrar, mas podiam estar a controlá-los com uma mão. A Liga aboliu essa possibilidade, dando mais poder a jogadores rápidos e com boa capacidade de lançamento. Essa mudança de regra permitiu a jogadores com o físico de Steve Nash passar de um bom base para um MVP, já que a habilidade passou a ser mais importante e mais protegida. 

    Anos de MVP, mas faltou sempre alguma coisa

    Brilhou ao lado do inovador Mike D'Antoni @Getty /
    Não foi coincidência que, assim que Nash chegou a Phoenix e assim que as regras mudaram, tenha vencido de imediato dois prémios MVP. Primeiro, batendo Shaquille O’Neal, em 2005, e depois, em 2006, batendo Kobe Bryant, numa época em que o base dos Lakers marcou em média 35 pontos por jogo. Os dois prémios foram muito contestados, mas o estilo de jogo atraente dos Suns e as marcas na fase regular (62-20 em 04/05 e 54 -28 em 05/06) valeram os prémios a Nash. 

    Individualmente, Nash brilhava e a equipa dos Suns parecia que estava sempre destinada a ser campeã. Infelizmente para o base havia sempre algo que faltava nos playoff. Entre 2004/2005 e 2009/2010, os Suns só falharam por uma vez a segunda fase da temporada da NBA e, nesses anos, chegaram a três finais de conferência, sem nunca passarem à final da Liga. Fosse por alguns problemas físicos, fosse porque jogadores adversários como Tim Duncan (Spurs), Dirk Nowitzki (Dallas) ou Kobe Bryant (Lakers) estiveram num nível superior ou por manifesto azar, os Suns nunca conseguiram dar o passo que faltava rumo ao título. 

    Com o passar dos anos e com as saídas do treinador Mike D’Antoni, do extremo Shawn Marion ou do poste Amar'e Stoudemire, os Suns foram mudando e entrando numa fase reconstrução. As duas últimas épocas de Nash em Phoenix foram sem playoff e, no verão de 2012, chegou a altura do divórcio entre as duas partes, com Nash a ser trocado para os LA Lakers. 

    LA Lakers: Onde tudo foi correndo mal até à retirada

    Retirou-se nos Lakers depois de um calvário de lesões @Getty /
    Em Los Angeles, Steve Nash, então com 38 anos mas ainda bastante produtivo, iria ter a sua grande oportunidade para, finalmente, ser campeão. Os Lakers vinham de dois anos onde haviam sido eliminados cedo nos playoff e, com a janela a fechar-se nos melhores anos de Kobe Bryant, juntaram na mesma equipa Kobe, Nash, o poste Dwith Howard e ainda Pau Gasol, Ron Artest e Derek Fisher. Uma super team capaz de se bater com o big-3 de Miami e de voltar a sagrar-se campeã. Para além disso, e apesar de um arranque complicado, os Lakers foram buscar Mike D’Antoni para treinador, o mesmo que retirou o melhor de Nash em Phoenix. O certo é que tudo o que podia correr mal, correu. Nash sofreu várias lesões ao longo da época, não se entendeu com Howard no pick and roll e começou a evidenciar as suas incapacidades físicas crescentes, especialmente no momento defensivo. Acabou por falhar a reta final da temporada e, apesar de ter voltado a tempo dos playoff, não conseguiu evitar uma eliminação na 1ª ronda.

    Na temporada seguinte, fez apenas 15 jogos devido a lesões e acabou por nem jogar na temporada 14/15, depois de anunciar que esse seria o seu último ano de NBA. O seu último jogo aconteceu a 8 de abril de 2014, contra os Houston Rockets. 

    Depois de ter passado alguns anos como consultor de equipas, Steve Nash conseguiu o seu primeiro trabalho como treinador principal, sendo o escolhido para orientar, em 2020, os Broklyn Nets. É adepto e tem uma percentagem do Tottenham, da Premier League, e é também membro dos comités desportivos do Canadá.

    Fez um dupla de sucesso com Stoudamire em Phoenix @Getty /

    Retirou-se com dois dos prémios MVP mais discutidos da história da NBA e que ainda hoje estão envolvidos em polémica. Apesar de tudo, foi o seu estilo de jogo que abriu as portas a jogadores como Steph Curry ou Damian Lillard, para além de ter ajudado a mudar a forma de jogar da NBA. Com 10 335, é o terceiro jogador com mais assistências e é dos poucos que faz parte do clube dos «90 50 40», que significa fazer uma época com percentagem igual ou superior a 90% da linha de lance livre (ocupou durante vários anos o primeiro lugar no que diz respeito a percentagem de lance livre da NBA), 50% em lançamentos de campo e 40% da linha de 3 pontos. 

    Nash é um daqueles casos em que a conquista de um título teria validado tudo o que atingiu na sua carreira. Não o conseguiu fazer, mas será sempre um dos grandes bases dos tempos modernos da NBA.

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    Steve Nash (CAN)

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