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O Mónaco é um principado independente, "encravado" na Provença, região do sul de França, a poucos quilómetros da fronteira com a Itália. Independente desde 1297, ano em que Francesco Grimaldi, através de uma artimanha (1), tomou posse do famoso rochedo, até então pertença da República de Génova, o Mónaco é um dos mais pequenos estados do Mundo.
Os Grimaldi "controlam" o rochedo desde essa data e a pequena cidade, uma das jóias da Riviera, tornou-se a partir do século XIX, destino da aristocracia europeia, playground dos ricos, que elegeram o seu casino para ganhar e perder fortunas... Até aos nossos dias, Monte Carlo é sinónimo de luxo e glamour.
No meio deste palco de principes e princesas, reis foragidos e espiões famosos, de estrelas do cinema e grandes senhores da banca, surgiria já no século XX, um clube, que juntamente com a família real, o seu Museu de Oceanografia, o Rally de Monte Carlo e o grande prémio de Formula 1, se tornou sinónimo de Mónaco.
A Association Sportive de Monaco (ASM) nasceu no dia 23 de Agosto de 1924, como um clube polidesportivo, fruto da fusão de um conjunto de pequenos clubes do principado e da vizinha França: o Swimming Club, o Monaco Sport (antigo Herculis, pioneiro do futebol monegasco, fundado em 1903), o AS Beausoleil, o Étoile de Monaco e o AC Riviera.
A primeira época futebolística do Monaco seria então a de 1924/25. Martin Robin tornou-se o primeiro presidente da instituição, eleito pela primeira vez em 1925, para um caro que conservará por cinco anos.

Os bons resultados no Promotion (Campeonato de Promoção), permite ao clube ascender ao grupo B da Divisão de Honra do Sudeste, que lidera isolado desde o começo da prova até ser relegado ao último lugar, fruto de uma reclamação dos adversários. Sem desmorecerem, os jogadores do Monaco parecem jogar a dobrar até ao final da prova e o clube monegasco consegue fazer uma recuperação histórica, acabando por se sagrar campeã do Campeonato do Sudeste.
Em 1933 o Monaco torna-se champion da Liga Sudeste e naturalmente resolve abraçar o profissionalismo. Logo na primeira época nos campeonatos profissionais, o clube consegue a promoção à Division 1, mas a polémica instala-se quando a Federação Francesa considera que o Stade des Moneghetti não tem condições para receber provas profissionais e o clube é despromovido aos campeonatos amadores.

Em 1940, as tropas italianas invadiram o Principado, mas por pressão da Alemanha, o exército de Mussolini retirou. A ocupação efectiva do Mónaco pelas tropas do Reino de Itália chegou a 11 de Novembro de 1942. Com o desembarque aliado na Sícilia, em Junho de 1943, a Itália viu-se obrigada a reorganizar-se militarmente retirando do sul de França. O Principado seria então ocupado pelos alemães, que aí permaneceram até Setembro de 1944, data em que os aliados devolveram a liberdade ao Mónaco.
Com o novo estádio capaz de receber jogos profissionais e uma equipa competitiva, o regresso do Monaco ao futebol do pós-guerra foi um caso de sucesso. Em 1948, os vermelhos-e-brancos conquistavam novamente a Liga do Sudeste e pouco depois o clube voltava a assumir o profissionalismo.
A morte do príncipe Louis II fez ascender ao trono o seu neto Rainier, que passou a reinar com o nome de Rainier III. Apaixonado pelo desporto, futebol em particular, percebeu que o futebol poderia, juntamente com os desportos automóveis e náuticos, ter um papel fundamental no sucesso do papel que "desenhara" para o Principado na segunda metade do século XX.
O estado, pela mão da família real, passou a apoiar o clube, apoiando financeiramente o seu desenvolvimento. Após alguns anos no meio da tabela, o Monaco ascendeu finalmente à Ligue 1, depois de terminar em segundo lugar na época de 1952/53.
Lucien Leduc chegou ao Principado em 1958 para orientar o clube, depois de passagens discretas pelo FC Annecy e pelos italianos do Venezia. Os dirigentes deram-lhe «carta branca» e o treinador natural de Boulougne-Sur-Mer, do outro lado do hexágono, montou uma equipa que dois anos depois conquistava o seu primeiro grande título, batendo o Saint-Étienne por 4x2 após prolongamento. Para gáudio dos poucos adeptos que se deslocaram a Paris nessa histórica data, Michel Hidalgo levantou a Taça de França.
A época seguinte começou com uma novidade estética. A Princesa Grace Kelly desenhou o novo equipamento do clube e os monegascos passaram a jogar com a celebre camisola dividida na diagonal, com iguais partes de vermelho e branco. No ano da estreia do novo kit, Leduc liderou o clube à primeira conquista do campeonato francês, garantindo a sua primeira presença na Taça dos Campeões Europeus no ano seguinte. O debut europeu não correria muito bem, com o Monaco a ser eliminado logo na primeira ronda pelos escoceses do Glasgow Rangers.

Leduc parte e o clube parece perder a capacidade que demonstrara nos primeiros anos da década de sessenta. Após décadas sem grandes resultados, o Monaco desce de divisão em 1969, para regressar ao convívio dos grandes duas épocas depois.
Entre subidas e descidas, o Monaco parece caminhar para um estatuto menor, mas em 1975 chega Jean-Louis Campora para liderar o clube. Dois anos antes já chegara o italo-argentino Delio Onnis, avançado de renome que se tornou o melhor marcador da Liga Francesa em 1975, apontando 223 golos em 263 jogos, espalhados por sete épocas, que ajudaram a tornar o avançado no maior goleador da história do emblema do Principado.
Campora foi buscar Gérard Banide para liderar os escalões de formação e trouxe Leduc de regresso ao banco do Louis II. Um ano depois do regresso do treinador, o Monaco vencia o Campeonato da 2 Division, e no ano de regresso a primeiro escalão, o emblema monegasco reconquistava o título que lhe escapava desde 1963, com uma equipa onde brilhavam Christian Dalger, Rolland Courbis, Jean-Luc Ettori e Jean Petit.
Gérard Banide assumiu o cargo, depois da saída de Leduc. Reformulou a equipa que fora campeã e em 1982, liderou os monegascos a novo título, numa equipa onde brilhavam os internacionais franceses Manuel Amores e Daniel Bravo.

Entretanto, era inaugurado na zona de Fontevieille, próximo do antigo recinto e em terrenos que haviam sido reclamados ao mar, o novo estádio do Principado, que manteve o mesmo nome da antiga casa do ASM, Estádio Louis II, em honra do avô do Príncipe Rainier.
O reinado do Alsaciano Arsène Wenger foi um dos mais bem sucedidos períodos da história do clube. Com Wenger, o Monaco alterou a sua política de contratações, apostando em novos mercados, estrelas em ascensão e perfeitos desconhecidos que em breve se tornaram dos mais respeitados jogadores do Mundo.
Nomes como GeorgeWeah, Glenn Hoddle e Jürgen Klinsmann demonstram bem essa política. Mas internamente, o Monaco também estava atento ao que se passava nos restantes clubes franceses, como bem demonstra a contratação de Youri Djorkaeff.
Wenger trouxe consigo novas ideias para os escalões de formação e em poucos anos o Monaco veria sair da sua «cantera» um conjunto de jogadores que conquistaria o Mundo com a seleção francesa: Emmanuel Petit, Lilian Thuram, Thierry Henry..

Em 1994, após uma época mal-sucedida (9.º), Wenger abandona o clube, partindo algum tempo mais tarde para o Japão, onde orientou o Nagoya Grampus.
enger's reign saw the club enjoy one of its most successful periods, with several inspired signings, including future legends George Weah, Glenn Hoddle, Jürgen Klinsmann, and Youri Djorkaeff. Youth team policies produced future World Cup winners Emmanuel Petit, Lilian Thuram, and Thierry Henry. Under Wenger, they won the league in his first season in charge (1988) and the Coupe de France in 1989 and 1991, with the club consistently competing in the latter stages of the European Cup and regularly challenging for the league title.[7] The club could have had even greater success in this period, as it emerged in 1993 that bitter rivals Marseille had indulged in match fixing and numerous improprieties, a view that Wenger had long held.[7] In 1994, after being blocked by the Monaco board from opening discussions with German powerhouse Bayern Munich for their vacant managerial post after being shortlisted for the role, Wenger was released from the club, several weeks after the post had already been filled.[7][8]
Jean-Luc Ettori e Jean Petit são os homens que se seguem, pegando no leme deixado por Wenger, mas contudo, o plano não dá resultado. Chega então Jean Tigana, uma velha glória do futebol francês (Mundial de Espanha e Euro 84). Com Frank Dumas, Sylvain Legwinski, Fabien Barthez, Thierry Henry, Victor Ikpeba, Emmanuel Petit e o belga Enzo Scifo, Tigana tem uma equipa capaz de se bater com os melhores de França e da Europa.

Na frente a dupla Henry-Trezeguet fazia furor e tornava-se uma referência do futebol ofensivo na Europa., na defesa Barthez parecia intransponível e Willy Sagnol era dos defesas mais cobiçados do futebol europeu. Mas seria só depois da saída de Henry que o Monaco voltou a conquistar o título (2000) num plantel onde agora brilhavam nomes como Dado Prso, Rafael Márquez, John Arne Riise ou Ludovic Giuly, ao lado ainda de Sagnol, Barthez e Trezeguet.
2004 marcou o momento alto da história monegasca, com uma carreira sem paralelo na Liga dos Campeões. A primeira fase ficou marcada por uma goleada histórica (8x3) ao Deportivo da Corunha, ajudando a garantir a vitória num grupo que também contava com PSV e AEK de Atenas.

Nas meias-finais, o Chelsea não foi capaz de travar a força monegasca. Vitória 3x1 no Louis II e empate a duas bolas em Londres. Com surpresa o Monaco chegava à grande final de Gelsenkirchen, onde o FC Porto de Mourinho o aguardava.
Apesar do início prometedor, o Monaco foi presa fácil da equipa liderada pelo futuro Special One. 0x3, perante o olhar dececionado da família real. Para a posteridade ficou o semblante carregado do Príncipe Alberto a ver a sua equipa cair com estrondo tão perto do sonho..
Sem vontade, ou sem meios, o clube parece abdicar do sonho de construir novamente uma grande equipa. Poucos anos depois da final de Gelsenkirchen já não parece haver sombra do onze que perdera a final.
O Monaco decaiu e acabou por cair com estrondo, em 2011, quando ao fim da primeira volta já carregava a lanterna vermelha, fardo que carregou até ao fim do campeonato, descendo de divisão
Surgiu então em cena o russo Dmitry Rybolovlev, que adquiriu o clube e prometeu devolver o emblema monegasco à mais alta roda, com um projeto milionário capaz de rivalizar com os maiores da Europa e com o também milionário PSG.

Com o passar dos anos, os monegascos foram continuando a sua luta para voltar a ter a coroa de campeão de França e pelo meio a aposta em jogadores portugueses manteve-se, com atletas como Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, Bernardo Silva, Hélder Costa, Rony Lopes ou Ivan Cavaleiro e vestirem as cores do Monaco
A desejada glória apenas chegaria, no entanto, em 2016/17, num ano em que o clube do Principado, comandado pelo também português Leonardo Jardim, conseguiu terminar em 1º lugar na Ligue 1, com mais oito pontos que o Paris SG, terminando com a hegemonia de quatro anos dos parisienses. Nesse ano, o plantel do Monaco contava com futuras estrelas como Bernardo Silva, Fabinho, Radamel Falcao e um jovem - na altura com 18 anos - de seu nome Kylkian Mbappé, que tornar-se-ia a segunda maior transferência do futebol no ano seguinte, ao rumar ao Paris SG por 145 milhões de euros)
Apenas dois anos depois desse desejado título, o Monaco quase bateu novamente no fundo. Num ano em que Leonardo Jardim foi despedido e voltou ao cargo cerca de três meses depois, o Monaco terminou a temporada no 17º posto da Ligue 1, apenas dois pontos acima do play-off e três acima da descida direta
Esse seria também o fim do acesso à Liga dos Campeões durante vários anos, já que nem os terceiros lugares conquistados sob o comando de Nico Kovac e Philippe Clement deram acesso a essa maior prova de clubes. Jogariam por duas vezes a Liga Europa, em ambas caindo na primeira ronda a eliminar (frente ao SC Braga, em 2022. Foi só em 2024, ano de centenário, que o clube regressou à liga milionária, depois de ser vice-campeão francês sob o comando de Adi Hütter.
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(1) - Francesco Grimaldi disfarçou-se de monge e bateu à porta da fortificação no topo do rochedo, onde hoje se encontra o Palácio dos Príncipes, abrindo de seguida os portões aos seus homens que o ajudaram a capturar a fortificação. Desde esse dia que um Grimaldi reina no le Rocher.