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Depois de John Stockton, Jason Kidd é talvez o protótipo ideal de um base na NBA. Aquela ideia antiga de que o base é o gestor de todo o ataque, o homem que decide que jogadas se devem fazer em que momentos. Para além da liderança, aquela ideia de que o base é um lançador exímio e ao mesmo tempo um defensor exemplar, vem de Jason Kidd. Um base capaz de fazer tudo (exemplificado no número de triplo-duplos que fez na carreira) e que saiu da NBA como um campeão.
Essa liderança e conhecimento do jogo de Jason Kidd é também notória na sua carreira de treinador, que já trouxe sucessos.

Seguiu-se a universidade da California, Berkeley, depois de um dos maiores processos de recrutamento da história do basquetebol universitário. A sua escolha foi surpreendente, já que negou algumas das universidades com os programas de basquetebol mais conceituados. Nos dois anos que passou na universidade esteve sempre presente na fase final da temporada da NCAA, tendo sido eleito o melhor jogador de 1º ano do país. Em 1994 rejeitou fazer o 3º ano de universidade e entrou no draft da NBA.
Todos sabiam que Kidd era, a par de Grant Hill, o jogador mais talentoso do draft. Ainda assim, o base não foi a 1ª escolha, ficando no 2º lugar, escolhido pelos Dallas Mavericks.

O impacto de Kidd na NBA foi imediato e logo no primeiro ano liderou a Liga em triplos-duplos. A capacidade de fazer de tudo um pouco no jogo, partindo da posição de 1º base, era algo que nunca se tinha visto na NBA e o jovem terminou a sua primeira temporada na Liga com médias 11.7 pontos, 5.4 ressaltos e 7.7 assistências. Foi eleito co-rookie do ano, juntamente com Grant Hill, que estava nos Detroit Pistons.
A temporada seguinte ficou marcada pelo crescimento dentro do campo (melhorou todas as médias e as percentagens e foi escolhido pela primeira vez para o jogo All-Star), mas também por problemas fora dele. A sua relação com a equipa técnica de Dallas não era melhor, tal como não era boa a relação entre as três figuras da equipa, Jim Jackson, Jamal Mashburn e Jason Kidd. A meio da terceira temporada e apesar do talento que mostrava dentro do campo, os Mavericks decidaram trocar o base para os Phoenix Suns.

As coisas em Phoenix começaram bem e logo na primeira temporada na casa nova, Kidd levou a equipa aos playoff (perdendo para os Sonics na1ª ronda).
Passou mais quatro anos como o base titular dos Suns, tornando-se uma das estrelas da NBA. Em 99, 00 e 01 liderou a Liga em assistências, foi sempre all-star e chegou sempre aos playoffs, ainda que só por uma vez, em 2000, tenha ultrapassado a 1ª ronda.
Pelo meio destes anos nos Suns, em janeiro de 2001, Jason Kidd teve sérios problemas com a lei. Foi detido por ter agredido violentamente a mulher em casa e acabou por confessar as agressões. Foi condenado a fazer terapia de casais e ainda a participar durante seis meses em tratamentos psicológicos para controlar a agressividade. Esse incidente acabou por ser a principal razão que levou os Suns a trocarem o base em junho de 2001.
Foi então trocado para o New Jersey Nets, depois de ter afirmado como um dos principais jogadores da Liga e ter conduzido os Suns sempre aos playoff.
Nos Nets juntou-se a uma equipa que tinha como figuras o rookie Richard Jefferson e ainda o poste de segundo ano Kenyon Martin. O seu impacto na jovem equipa foi imediato, com os Nets a passarem de um record de 26 vitórias e 56 derrotas em 00/01, para 52 vitórias e 30 derrotas na época seguinte. Com médias de 14,7 pontos e 9, 9 assistências, o base ficou mesmo em segundo lugar na corrida para MVP, perdendo para Tim Duncan, dos San Antonio Spurs. Kidd continuou a liderar o Nets nos playoff e levou a equipa à primeira final da sua história, perdendo por claros 4 – 0 contra os Lakers, de Kobe e Shaq.

Na época seguinte repetiu-se a liderança de Kidd. Aumentou a sua média pontual para 18,7 pontos por jogo (o máximo da carreira) e voltou a liderar a Liga em assistências, com 8,9. Voltou a chegar às finais, perdendo desta vez para os San Antonio Spurs por 4 – 2, com quase todos os jogos a serem muito equilibrados.

Seguiram-se mais uma época e meia nos Nets, mas sem conseguir voltar a tornar-se um claro candidato ao título.
Em fevereiro de 2008, Kidd pediu aos Nets para ser trocado e poucos dias depois era anunciado que o base tinha sido adquirido pelos Dallas Mavericks, juntando-se assim à equipa que o tinha escolhido no draft em 1994.
Juntamente com Dirk Nowitzki, o base ajudou Dallas a ter uma equipa mais robusta, garantindo presença nos playoff de 2008, 2009 e 2010, ainda que sendo eliminado relativamente cedo.

A equipa de Miami estava a viver o primeiro ano do trio composto por Wade, Lebron e Bosh e era vista como a grande favorita. Dallas fez uma final a roçar a perfeição e contou com a inspiração da sua estrela Dirk Nowitzki para vencer por 4 – 2. Jason Kidd voltou a ser importante na série, sendo muitas vezes ele o responsável pela defesa a Lebron James. Ao fim de três finais e de mais de uma década de NBA, Jason Kidd conseguia assim o seu título de campeão.
O base ainda jogou mais uma temporada em Dallas (eliminado na 1ª ronda pelos OKC) , antes de assinar pelos NY Knicks em 12/13. Apesar de estar perto dos 40 anos, Kidd ainda foi utilizado em quase 33 minutos por jogo na temporada, ajudando uma equipa que tinha os All-Stars Carmelo Anthony e Amar'e Stoudemire como estrelas a chegar aos playoff (eliminados pelos Indiana Pacers na 2ª ronda). No final dessa temporada Jason Kidd retirou-se da NBA.

Jason Kidd brilhou também ao serviço dos EUA, conseguindo duas medalhas de ouro em Jogos Olímpicos. Era uma das principais estrelas da seleção em 2000 e fez parte de uma das maiores Dream Teams de sempre dos norte-americanos, em 2008. Essa seleção contava com nomes como Kobe Bryant, Lebron James, Dwayne Wade ou Carmelo Anthony.

Saiu dos Bucks em janeiro de 2018 e, no verão de 2019, viria a ser contratado para treinador adjunto dos LA Lakers. Atualmente, em 2022, é o treinador dos Dallas Mavericks.
Se John Stockton é a definição de base na NBA, Jason Kidd será a evolução da posição. A sua capacidade para fazer um pouco de tudo e para liderar tornou-o num dos jogadores mais míticos da história recente da Liga. Retirou-se como um anel da NBA, está no Hall of Fame e uma das grandes referências históricas da posição de base.