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Há poucos jogadores na NBA que têm uma ligação tão intensa com uma determinada cidade. Uma ligação que leva a uma confusão entre os dois nomes. Magic Johnson e Kobe Bryant têm-na com Los Angeles, Allen Iverson tem com Philadephia e, com toda a certeza, Dwayne Wade tem-na com Miami. E tem-na de tal forma que, mesmo tendo estado em mais duas equipas, aquela cidade do estado da Florida será sempre conhecida como «Wade County».
Dentro de todo o sucesso e de uma carreira brilhante, Wade pode dizer que teve «azar». Azar porque coincidiu nos seus anos de jogador com Kobe Bryant e, especialmente, com Lebron James. Tal não fosse e certamente esta seria a história de um top-5 da história da NBA.
Dwyane Tyrone Wade Jr. nasceu a 17 de janeiro de 1982 em Chicago, no estado norte-americano do Illinois. Como aconteceu com vários atletas de sucesso, o desporto apareceu na vida de Wade como forma de fugir aos problemas. E eram muitos esses problemas. A mãe do jogador era toxicodependente e durante a infância do jogador estava constantemente a ser detida. Só quando o pai o levou para viver noutra cidade é que a sua vida estabilizou.
Esteve dois anos sem ver a mãe e foi nessa altura que começou a brilhar nos pavilhões e até fora deles. A sua vida no liceu era dividida entre o futebol americano e o basquetebol, sendo que foi no primeiro que se começou a evidenciar. Apenas quando cresceu 10 centímetros num verão se percebeu que a carreira deste jovem ia seguir ligada ao basquetebol.
Nos últimos dois anos de liceu, fez médias de 20 e 27 pontos por jogo e começou a entrar no radar das principais universidades. Ainda assim, quando foi a altura de passar para a Universidade, o seu fraco aproveitamento escolar afugentou as principais instituições, tendo recebido apenas dois convites. Acabou por aceitar ingressar na Marquette University em Milwaukee, Wisconsin, sendo que no primeiro ano nem pôde jogar basquetebol devido a uma norma que impede atletas com baixo aproveitamento escolar de serem utilizados pelas equipas das universidades.

Ora, como não seria de estranhar, a NBA começou a bater à porta de Wade e o jogador aceitou saltar o último ano de universidade e entrar no draft de 2003, que ainda hoje é considerado o melhor da história da Liga, com nomes como Lebron James, Carmelo Anthony ou Chris Bosh. Wade foi escolhido como a 5ª escolha pelos Miami Heat e assim começou uma história de amor que dura até aos dias de hoje.
Ao fim de um de NBA já era candidato ao título com Shaq
O primeiro ano do base na NBA começou de forma normal para rookie: lento no início, mas sempre em sentido ascendente. De tal forma ascendente que conseguiu levar a sua equipa ao playoff logo no seu primeiro ano.
Só que a carreira de Wade estava prestes a mudar logo no seu segundo ano de NBA. Isto porque os Miami Heat conseguiram garantir a troca por Shaquille O'Neal junto dos Lakers no verão de 2004 e assim, do nada, passavam a ser um dos grandes candidatos à conquista do título da NBA. Em 04/05, chegaram à final de conferência, perdendo para os Detroit Pistons. O jogador dos Heat foi nomeado all-star pela primeira vez e brilhou nos playoff, de tal forma que ganhou direito à sua alcunha, dada pelo próprio Shaq. Wade passou a ser «flash» pela velocidade e impetuosidade com que jogava.

Anos mistos e o adeus a Shaq
Depois da conquista do título, seguiram-se anos mistos para Wade. Negativos por causa de algumas lesões, mas positivos devido à sua afirmação como um dos melhores e um dos mais carismáticos jogadores da Liga. Entre 2006 e 2010, os Heat eram uma equipa de altos e baixos, mas não eram vistos como verdadeiros candidatos ao título, especialmente depois do declínio e da saída de Shaq, em 2008.
Apesar disso, Wade era constantemente candidato a MVP e venceu mesmo o título de melhor marcador da Liga na época 08/09.
Big-3 com Lebron e Bosh

O big-3 esteve junto quatro anos e chegou à final em todos eles. Perdeu a primeira e a última (Dallas e Spurs) e venceu as duas do meio, em 2012 e 2013, frente aos OKC Thunder e aos San Antonio Spurs. Mesmo entregando a primazia do jogo a Lebron, Wade continuou a ser muito produtivo, com médias sempre superiores a 19 pontos.
Final do Big-3 e a saída de Miami
Com a saída de Lebron em 2014 e com Bosh a atravessar graves problemas de saúde, os Heat passaram a ser uma equipa bastante mais modesta. Falharam os playoff em 14/15 e na temporada seguinte perderam na 2ª ronda.

Esteve apenas uma temporada nos Bulls e, apesar de ter chegado aos playoffs e de ter colegas de equipa como Rajon Rondo ou Jimmy Butler, as coisas nunca correram bem. Chegou mesmo a ser multado por criticar colegas de equipa publicamente e os Bulls foram eliminados na primeira ronda perante os Celtics. Saiu, em setembro de 2017, da equipa de Chicago, tendo chegado a um acordo de byout com a instituição.
Assinou depois com os Cleveland Cavaliers, juntando-se ao amigo Lebron James. Apesar da reunião, a carreira nos Cavs durou poucos meses. Já depois de ter passado para um papel de suplente, acabou por ser trocado para os Miami Heat em fevereiro de 2018.
Regresso a Miami para se retirar
No final da temporada 17/18, anunciou que apenas jogaria mais um ano e a temporada 18/19 foi a última em que o base atuou. Mesmo saindo do banco, Wade foi ovacionado sempre que atuou pela última vez em cada um dos pavilhões adversários. Jogou pela última vez no dia 10 de abril de 2019, fazendo um triplo-duplo (25 pontos, 10 assistências e 11 ressaltos) contra os Nets.
Despediu-se da NBA como o melhor marcador da história dos Miami Heat e como o rosto da franquia. No total, foram 23165 pontos e três títulos de campeão. Juntando a isso, ainda fez parte da seleção norte-americana que venceu o Ouro nos Jogos Olímpicos de 2008, ao lado de Kobe Bryant, Lebron James ou Jason Kidd.
