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Mais que um clube, o Corinthians é um estado de espírito. Um clube do povo para o povo. O «torcedor» do Corithians não adora o seu clube, o corintiano é louco pelo seu clube. É uma paixão que não se explica, vive-se, sente-se! Em mais de cem anos o Corithians viveu momentos de glória e conheceu as profundezas da segunda divisão.
Dos tempos dos fundadores do Bom Retiro até à conquista da Libertadores, passando pela «Democracia Corinthiana» e o centenário que teve honra de ter presente o presidente Inácio Lula, um corintiano apaixonado. Esta é a história do glorioso Sport Clube Corinthians Paulista. É uma história de amor, de um amor sobrenatural, capaz de fazer justiça à famosa epístola de São Paulo aos Coríntios, a carta de onde o clube inglês a quem o Corinthians foi buscar o nome, se inspirou para o nome o Corinthians - coríntios em inglês.
O futebol chega a São Paulo
Charles William Miller, um paulista, filho de um escocês e de uma brasileira de origem inglesa, descobriu o futebol quando estudava em Inglaterra, enquanto jogava nos colégios onde estudava, e depois no Corinthian e no St. Mary. Voltaria mais tarde para casa, levando consigo uma bola, uma bomba de ar, um par de chuteiras, o livro com as regras do futebol e uma vontade tremenda de ensinar os seus conterrâneos a jogar o jogo que tinha aprendido a amar em Inglaterra.
O ano era 1894, e o futebol chegava ao Brasil. A Cidade de São Paulo tornava-se o berço do futebol brasileiro. Miller fundou o São Paulo Athletic Club, e depois foram surgindo outros clubes como o Mackenzie, o Internacional, o Germânia, na sua maioria fundados pelas comunidades emigrantes, e todos eles exclusivamente interditos a «não-brancos».
Estes eram outros tempos, e o futebol brasileiro ainda estava longe do que viria a ser. De São Paulo o futebol espalhou-se pelo país todo, com ajuda dos ingleses e outras comunidades. Rapidamente se tornou um sucesso em todo o país e o Rio e São Paulo tomaram a dianteira, que ainda hoje detêm.
Do povo para o povo
O futebol era então um jogo das elites, disputado por cavalheiros e rapazes de bem. Fechado a pessoas de baixa de condição, e disputado em círculo fechado, pelos jovens da mais alta sociedade.
Foi contra esse estado de coisas, que um grupo de trabalhadores dos caminhos-de-ferro, do bairro do Bom Retiro, resolveu fundar um clube de futebol. Cinco operários da São Paulo Railway: Joaquim Ambrósio, Rafael Perrone, Antônio Pereira, Anselmo Correia e Carlos Silva, foram no dia 31 de agosto de 1910 assistir à última partida, da digressão que o clube londrino Corinthian, estava efetuar pelo Brasil.
Fascinados com o clube e com a exibição e vitória sobre o AA Palmeiras, combinaram marcar uma reunião no dia seguinte, no Bom Retiro, para fundarem um «team». No 1º dia de setembro de 1910, nascia o clube, e Miguel Bataglia tornava-se o seu primeiro presidente.
Quatro dias depois, mais uma reunião para escolher o nome. Joaquim Ambrósio sugeria Corithians em honra da equipa inglesa, todos concordaram e pouco depois, com a voz embargada, Miguel Bataglia proferia as históricas palavras:
«Está adotado o nome de Sport Club Corinthians Paulista para o nosso grêmio.»
Encontrado o nome, era preciso uma bola e equipamentos, e os sócios e os moradores do bairro foram chamados a colaborar. Apenas nove dias depois, o Corinthians tinha o seu primeiro jogo, contra o União da Lapa, a derrota por 0x1, contra um clube tão bem cotado, foi considerado um promissor começo.
Além da admissão dos jogadores de classe mais baixa, o Corinthians foi precursor na inclusão de jogadores de cor nas suas equipas, para grande escândalo da sociedade paulista da época.
A primeira década dourada
Dos primeiros «chutes na bola» pelas várzeas de São Paulo ao primeiro título paulista, passaram apenas três anos. O segundo «Paulistão» viria em 1916. Em ambas ocasiões o Corinthians terminou a competição invicto.
Depois teria de esperar até 1922 para voltar a festejar um «Paulistão», mas tomou-lhe o gosto e seria bicampeão no ano seguinte, e festejaria o tricampeonato em 1924. Entre 1928 e 1930, voltaria a conquistar mais um tricampeonato, conquistando seis títulos em dez épocas, para gáudio da já sua considerávle falange de apoio.
O tri-tri e nova era dourada
Os anos 30 marcaram um período de adaptação. Os ventos do profissionalismo sopravam no Brasil e o Corinthians demorou algum tempo a entrar na nova ordem. Mas em 1937, o Corinthians iniciou a conquista de mais um tricampeonato, fazendo história com o seu terceiro «tri» em duas décadas.
Mas após tantas vitórias, poucos imaginavam que o clube ia entrar numa década horribilis depois da conquista de mais um «Paulistão» em 1941. O mundo estava em Guerra, mas o futebol no Brasil não parou e o Corinthians foi acumulando frustrações até 1950, ano que conquistou pela primeira vez a Copa Rio-São Paulo, prenunciando a conquista de mais um «Paulistão» no ano seguinte.