21/06 - 23:00
22/06 - 02:00
22/06 - 18:00
22/06 - 22:00
23/06 - 01:00
23/06 - 04:00
23/06 - 18:00
23/06 - 21:00
21/06 - 23:00
22/06 - 02:00
22/06 - 18:00
22/06 - 22:00
23/06 - 01:00
23/06 - 04:00
23/06 - 18:00
23/06 - 21:00
22/06 - 22:00
23/06 - 01:00
23/06 - 04:00
23/06 - 18:00
23/06 - 21:00
21/06 - 23:00
22/06 - 02:00
22/06 - 18:00
22/06 - 22:00
23/06 - 01:00
23/06 - 04:00
23/06 - 18:00
23/06 - 21:00

A 7 de Julho de 2000 em Zurique na Suiça a FIFA atribuía o Mundial de 2006 à Alemanha, após uma votação renhida, onde apenas por um voto, a candidatura alemã superava a favorita África do Sul. O mundial regressava à Europa apenas oito anos depois do Mundial de França, e África teria de esperar mais quatro para receber a festa do futebol pela primeira vez.
Trinta e duas selecções qualificaram-se para o grande evento; sendo o Uruguai a única equipa que já tinha sido campeã a não conseguir qualificar-se, após ter sido eliminado pelos australianos, que com esta histórica vitória regressavam para disputar o Campeonato do Mundo 32 anos depois, novamente em solo alemão.
Oito seleções estreavam-se em competição: Angola, Costa do Marfim, Ucrânia, Gana, República Checa, Sérvia e Montenegro, Togo e Trinidad e Tobago. De salientar ainda o regresso da Austrália, que colocava a Oceânia de volta no mapa do futebol, depois das distantes (e discretas) presenças dos socceroos em 1974 e da Nova Zelândia em 1982.
A estreia de quatro seleções africanas demonstrava a revolução futebolística vivida no continente, deixando de fora seleções com o prestígio e o passado de Camarões, Nigéria, Marrocos, Senegal, Egito, Argélia... Chegara finalmente o tempo de equipas como a Costa do Marfim e o Gana reivindicarem o seu lugar de potências maiores do «continente negro».
Pela primeira vez na história a CONCACAF (América do Norte, Central e Caribe) qualificava as mesmas quatro selecções que a CONMEBOL (América do Sul); enquanto a qualificação de Angola, Brasil e Portugal, tornava o mundial alemão no mundial mais lusófono de sempre.
O Campeonato arrancou no dia 9 de Julho em Munique com uma vitória alemã por 4-2 contra a Costa Rica, num jogo onde um golo de outro mundo do alemão Philipp Lahm – a jogar em casa – foi a cereja no topo do bolo do jogo de abertura com mais golos marcados da história do Mundial. Nessa mesma noite o Equador bateria a Polónia por 2-0, e começava a caminhada para garantir - juntamente com os anfitriões - o apuramento para a 2ª fase.
No Grupo B, a Inglaterra comandada por Sven Goran Eriksson – tida como favorita por muitos analistas – viu-se e desejou-se para levar de vencida o Paraguai (1-0) e Trinidad e Tobago (2-0), antes de empatar com a Suécia (2-2) no último jogo, que serviu para ambas as equipas festejarem a qualificação já atingida na jornada anterior.
Argentina, Holanda, Sérvia e Montenegro e a Costa do Marfim formavam no grupo D o que foi considerado o grupo da morte. A selecção africana perdeu com argentinos e holandeses pelo mesmo resultado (1-2) antes de vencer os sérvios (3-2) e deixar o mundial com um gosto amargo; por sua vez os holandeses ao vencerem os sérvios por 1-0 e ao empatarem a zero com os sul-americanos passavam sem brilho, por oposição aos argentinos, que ao vencerem os sérvios por 6-0 abriam o apetite da afición argentina para mais um sucesso da alvi-celeste.
O grupo de Portugal não teve história, com um futebol menos encantador que o praticado durante o Euro 2004 – onde os lusos tinham ficado em 2º lugar -, Portugal acabou por vencer todos os jogos, num grupo fraco, sem jogos para guardar na memória, onde apesar da alegria e festa angolana, acabou por ser o México a conseguir a segunda vaga para a fase seguinte.
No grupo E, os italianos assumiram logo no primeiro jogo o papel de favoritos e venceram o estreante Gana por 2-0, para depois de terem empatado com os norte-americanos carimbarem a vitória na última partida ao vencerem a República Checa (2-0), que já antes havia perdido pela mesma margem com os africanos e assim ficava fora da competição, muito antes do que os analistas tinham prestidigitado.
Os campeões do Mundo em título fizeram o pleno do grupo com 3 vitórias – tal como Portugal, a Espanha e a Alemanha - sobre Austrália, Croácia e Japão, e só sofreram um golo no último jogo contra os nipónicos treinados por Zico, que ficaram pela primeira fase, juntamente com os croatas, ao serem incapazes de se superiorizarem ao energético e tacticamente disciplinado futebol dos “antípodas”.
A surpresa do grupo G foi a França – com Zidane castigado - que só no último jogo contra o Togo conseguiu atingir uma vitória, acompanhando assim a Suíça que venceu o grupo sem sofrer um golo, para os oitavos de final.
Por último, o grupo vencido pela Espanha, que se revelou um passeio para os ibéricos, que ao ganharem todos os jogos e marcarem oito golos contra apenas um sofrido, abafaram por completo a concorrência. Em segundo lugar ficou a Ucrânia que não obstante a derrota contra La Roja por 0-4 no jogo de abertura, foi a tempo de se redimir e vencer a Arábia Saudita (4-0) e a Tunísia (1-0), garantindo assim a qualificação.
Para os oitavos de final o Espanha vs França e o Portugal vs Holanda povoavam o imaginário dos adeptos, mas antes disso a segunda fase começou com as vitórias sem história de alemães e ingleses, respectivamente sobre a Suécia (2-0) e o Equador (1-0) e ainda um golo incrível de Maxi Rodriguez que valeu a vitória argentina por 2-1 sobre o México, após prolongamento.
A 25 de Junho, portugueses e holandeses, defrontaram-se no que viria a ser conhecida como a Batalha de Nuremberga. Duas expulsões de cada lado, 16 amarelos, uma arbitragem lastimável, Cristiano Ronaldo a sair lesionado logo no inicio da partida, o mau perder do holandeses, o mau vencer dos portugueses, dureza de ambos os lados, e um golo solitário de Maniche, foram os ingredientes de um jogo que o mundo inteiro e a própria FIFA rapidamente qualificaram, como um dos piores da história do Mundial.
O campeonato continuou com a polémica vitória de Itália sobre a Austrália, aos 95’ na transformação de uma grande penalidade inexistente; e a vitória após grandes penalidades da Ucrânia sobre a Suíça, que conseguia o feito de ser eliminada nos oitavos de final da competição sem sofrer um único golo.
No dia 27 os brasileiros enfrentavam o Gana, num jogo que se previa bem complicado para o escrete, mas a classe de Kaká e os golos de Adriano, Ronaldo e Zé Roberto, arrasaram com o seleccionado ganês.
Nessa mesma noite a França finalmente podia contar com Zidane para tentar travar a força espanhola, mas tudo parecia mais difícil quando aos 28’ David Villa abria o placard após a conversão de uma grande penalidade.
Contudo, Ribery empatou o resultado antes do intervalo; para na 2ª parte os franceses assumirem o controlo da partida, perante uma Espanha que ia perdendo gás. Aos 83’ Vieira assinava a reviravolta, e aos 92’ Zidane selava o destino da partida, e mais uma vez a Fúria espanhola ia para casa mais cedo, quando tanto prometia aos seus aficionados.
Seis ex-campeões do mundo, Portugal e a Ucrânia chegavam ao momento decisivo da prova em que se decide quem é grande e fica na história, ou quem fica tão perto de pisar o pódio do Mundial.
Alemanha vs Argentina e Brasil vs França captavam as atenções. No dia 30 de Junho no Estádio Olímpico de Berlim, um golo tardio de Klose, empatava a partida e levava o jogo para prolongamento, para desespero argentino. Após trinta minutos ninguém marcou, e no desempate por grandes penalidades, a frieza alemã arrumou com a beleza argentina; em Hamburgo, nessa mesma noite, dois golos de Luca Toni e um de Zambrotta acabavam com o sonho ucraniano e qualificavam a Itália para a Meia-Final de um Campeonato do Mundo pela 7ª vez na história.
No primeiro dia de Julho em Gelsenkirchen – cidade de boa memória para o futebol português – a Selecção Nacional eliminava através de grandes penalidades a Inglaterra, repetindo-se assim o desfecho dos quartos de final do Euro-2004, onde o mesmo Ricardo havia sido o herói que havia defendido brilhantemente os penalties dos jogadores ingleses. Scolari batia Eriksson pela terceira competição consecutiva, e Portugal regressava ao “clube dos quatro melhores do mundo” 40 anos depois de ter sido eliminado precisamente por esta mesma Inglaterra nas meias-finais do Mundial de 1966.
Para fechar com chave de ouro os quartos-de-final, os dois últimos campeões do mundo defrontaram-se em Hamburgo à procura da última vaga para as meias-finais.
O favorito Brasil foi maniatado pelo jogo francês, fez apenas um remate à baliza durante toda a partida, enquanto do outro lado Zinedine Zidane enchia o campo com a sua classe, técnica e visão de jogo. Aos 53’ um livre superiormente executado pelo Mago marselhês, foi concluído com um belo golo por Henry e a França seguia em frente, deixando para trás o campeão em título.
Após 1934, 1966, 1982, era apenas a quarta vez que apenas equipas europeias chegavam as meias-finais de um Campeonato do mundo – curiosamente, Portugal marcava presença em duas dessas tão raras ocasiões, enquanto a Itália marcara três vezes presença e a Alemanha em todas.
Portugueses e franceses nunca se tinham defrontado na Meia-Final de um Mundial, mas já o tinham feito por duas vezes em campeonatos da Europa (1984,2000), sempre com vantagem para os gauleses. 2006 não foi excepção e um golo solitário de Zidane, numa grande penalidade a castigar uma falta de Ricardo Carvalho sobre Henry, foi o suficiente para acabar com o sonho lusitano.
No outro jogo a Itália e a Alemanha levaram o jogo sem golos para o prolongamento. E quanto tudo parecia fazer crer que alemães e italianos iam decidir o segundo finalista através da marca de grandes penalidades, Fabio Grosso marcou um belíssimo golo no último minuto que deixou sonho dos anfitriões preso por arames. Com pouco para jogar os alemães prontamente carregaram sobre o adversário, mas foram outra vez os italianos a marcar através de um magistral contra-ataque, desta vez finalizado por Alessandro Del Piero, que com este golo pôs ponto final na história da partida e garantiu que a Itália voltava ao jogo decisivo.
O hino de Itália, o famoso Inno di Mameli, fala de uma Itália que se levantou e que para reclamar a vitória se protegeu, cobrindo a cabeça com o elmo de Cipião, o Africano, vencedor de Anibal na batalha Zama, que pôs fim às Guerras Púnicas e deu a Roma a supremacia sobre o Mediterrâneo Ocidental.
Com ou sem o capacete com que Cipião derrotou o célebre general cartaginês, a verdade é que seria a cabeça, ou em última instância a falta dela que coroaria o novo Campeão do Mundo.
O Olímpico de Berlim, que presenciara os grandes feitos de Jesse Owens em 1936, engalanou-se para receber as duas melhores selecções do mundo, e os primeiros vinte minutos da partida prometiam, com um golo para cada lado, curiosamente de Zidane e Materazzi a dupla de herói-vilão, que marcaria a história desta final lá mais para frente no prolongamento.
Depois do choque de dois golos tão prematuros, as duas equipas voltaram a estudar-se, mas o ritmo cresceu novamente e o jogo seguiu com um cabeceamento de Luca Toni à barra de Barthez aos 35’ e já na segunda parte, aos 53’ os franceses queixaram-se de uma grande penalidade sobre Malouda; mas a verdade é que o resultado não sofreu alteração e o jogo foi para prolongamento empatado a uma bola.
E foi aos 110’ que aconteceu o momento da partida e quiçá do mundial, quando Zidane – que jogava o último jogo da sua carreira - agride com uma cabeçada o italiano Materazzi, recebendo imediatamente ordem de expulsão e deixando a França com menos um jogador para disputar o tempo que restava.
Mas a verdade é que a Itália não conseguiu capitalizar essa vantagem numérica no pouco tempo que restava e a final teve que ser resolvida desde a marca de grandes penalidades, pela segunda vez na história.
Curiosamente em 1994, tinha sido esta mesma Itália que tinha perdido a final, então para o Brasil, e muitos italianos temeram pela tradição negativa da Squadra Azzurra nas decisões pela marca de nove metros e quinze.
Muitas unhas terão sido roídas de Veneza a Palermo, antes e depois do falhanço de David Trezeguet, mas a explosão de alegria só arrebentou de norte a sul de Itália no exacto momento em que Fabio Grosso carimbava o quarto título mundial para o futebol Italiano. Cannavaro levantava a taça, Marcello Lippi era o melhor allenatore do mundo, e os italianos esqueciam o calciocaos, as divergências políticas entre Romano Prodi e Sílvio Berlusconi, a Itália era novamente feliz, veramente felice!